No curso sobre jornalismo e empreendedorismo que dou na PUC-Rio, o tema de uma das aulas é liderança. Costumo fazer três perguntas para dar início à discussão: o que é um líder? Líder é o mesmo que chefe? Qual a diferença entre os dois? Mesmo os mais jovens da turma sabem distinguir uma coisa da outra: se apressam a dizer que um chefe se limita a dar ordens e, para fazer o contraponto, citam grandes nomes, como Gandhi, o papa ou um político conhecido internacionalmente. É a partir daí que explico que mesmo os mais tímidos podem se tornar líderes, porque muitas vezes as circunstâncias nos levam a assumir essa posição – e que há ferramentas para nos ajudar a exercer esse papel.

Há diferentes modelos de liderança e não se pode dizer que apenas um seja correto e de eficiência garantida para todas as situações. Mas como reconhecer um líder e se beneficiar com esta convivência? Longe de mim querer esgotar o assunto, mas algumas características são essenciais. Comecemos pela capacidade de construir parcerias, para que sua atuação possa ser amplificada. Construção de parceria não é sinônimo de ser amiguinho de todo mundo, e sim de criar um ambiente com condições para estimular o desempenho das pessoas.

Um líder consegue dosar intimidade com tensão criativa, o que, trocando em miúdos, significa que você terá abertura para expor seus projetos e ideias, mas também será cobrado para dar o melhor de si, será convidado a se superar continuamente. Assim ele terá um time capaz de enfrentar mudanças e desafios. Líder mantém proximidade com a oposição e aceita baixas em suas fileiras, sem tomar isso como algo pessoal, porque sabe como é perigoso estar rodeado de subordinados que prestam vassalagem e só sabem fazer elogios.

Ninguém disse que ia ser fácil… É preciso aguentar a pressão, interna e externa, e controlar a “temperatura” sem se descontrolar. É preciso compartilhar visão e liderança. É preciso prezar a diversidade. É preciso encarar a tecnologia como aliada e pensar globalmente. E, antes de tudo, é preciso ter transparência e integridade.

Uma frase do livro “Liderança no fio da navalha; sobrevivendo e vencendo os perigos do comando nos negócios”, de Ronald A. Heifetz e Marty Linsky, resume o espírito da coisa: O mito do líder como guerreiro solitário é receita certa para o suicídio heroico. As pessoas estão dispostas a aderir e fazer sacrifícios se compreenderem os motivos e souberem que alguém as representa. E então: você tem um chefe ou um líder?

 

 

 

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