O custo do dinheiro no Brasil é muito alto. Mas o “spread” bancário é estratosférico. “Spread” é a diferença entre a taxa básica de juro e a taxa cobrada do tomador final dos empréstimos.

O “spread” brasileiro é muito alto em parte porque a taxa básica de juro alta. E há os impostos e os depósitos compulsórios, aqueles que o Banco Central obriga os bancos fazerem em determinadas modalidades de operação. Tudo isso contribui para encarecer o “preço” do dinheiro para o tomador final, ou seja, você que usa o cheque especial ou precisa de algum crédito.

Em todos esses componentes que encarecem o crédito há pouco que possamos fazer, pois trata-se de decisão de política monetária do governo. No entanto, há um componente que é sensível a sua intervenção, o ganho que fica para o banco.

Ou seja, parte do “spread” refere-se ao ganho do banco nas operações de crédito. E o que ocorre é que o brasileiro não tem o costume de pesquisar as taxas dos financiamentos na hora em que faz um empréstimo. Assim, sem concorrência acirrada, não há motivos para mexer na taxa final.

O Banco Central sabe disso e tem tentado estimular a concorrência bancária. Uma das formas foi facilitando a migração do seu crédito para outro banco. Se você tem um empréstimo e encontra um banco com taxas mais baixas que você está pagando basta migrar seu crédito para o outro banco, desde que ele o queira como cliente, é claro. É a chamada portabilidade do crédito.

Mas ainda assim são poucos os brasileiros que usam desse expediente. Outra medida do BC para fomentar a concorrência e tentar derrubar os “spreads” foi a portabilidade da conta salário. Hoje é você que escolhe o banco onde quer receber seu salário, mesmo se for funcionário público.

E os bancos adoram quando você leva a conta salário para eles. Ou seja, está aí uma boa moeda de troca. O banco cobra taxas mais razoáveis na operação de crédito e você leva sua conta-salário para ele. Está aí um bom começo de negociação que poderá ajudar a reduzir suas despesas com custos de crédito e dar uma folga no orçamento.

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