Quando o assunto é tomar crédito ninguém está preparado para ouvir “não” como resposta, mas a realidade é que a maior parte das pessoas e empresas que pedem empréstimos no Brasil recebem uma negativa. “A grande maioria dos créditos no Brasil é recusada”, afirma Rafael Pereira, presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).

A ideia das fintechs de crédito é justamente usar a tecnologia para buscar formas alternativas e mais refinadas de analisar um credor não só pela base de dados de negativados ou pela renda mensal, fatores que acabam excluindo as camadas de renda mais baixas. “Se o custo de fazer um empréstimo é o mesmo seja para uma quantia de mil reais ou de 10 mil reais uma instituição financeira vai direcionar sua oferta para o valor maior”, observa Eduardo Teixeira, da Noverde.

Usando tecnologia para ter informações mais precisas sobre o cliente, as fintechs de crédito vêm ganhando espaço entre os clientes que têm o crédito recusado entre as instituições tradicionais e entre as classes C, D e E. O estudo “A Nova Fronteira do Crédito no Brasil” feito pela ABCD em parceria com a PwC e divulgado na última semana mostra que 79% dos clientes das fintechs de crédito estão concentrados nas faixas C, D e E e 7% não têm acesso ao sistema bancário tradicional.

Entre as empresas que atendem pessoas jurídicas, 72% dos clientes correspondem a empresários individuais, microempresas e empresas de pequeno porte com até 49 empregados, informa a pesquisa.

O uso da tecnologia para analisar o comportamento do cliente vai além do cruzamento de bancos de dados. Por meio do aplicativo da empresa Eduardo conta que é possível analisar como o cliente se relaciona com seu smartphone, o que pode revelar bastante sobre seus hábitos financeiros, analisando, por exemplo, “como ele usa a bateria, como ele se relaciona com o pacote de dados e se ele compra pacotes adicionais ou não”, conta o executivo. “Buscamos analisar o cliente de vários ângulos e não só olhar se ele tem uma negativação”, explica.

Mylena Maurutto, vice-presidente da Lendico, que trabalha com a concessão de crédito desde 2015, explica que além da do custo operacional mais baixo da fintech – hoje com 90 funcionários e um serviço 100% online – em relação a uma instituição financeira, a ciência de dados faz a diferença na hora de definir taxas menores. “Com a análise de dados a gente trabalha melhor as distinções de públicos para conseguir oferecer taxas mais competitivas”, ressalta.

Em geral, segundo a pesquisa da ABCD, em 2018, metade das empresas pesquisadas ofereceu empréstimos com taxas abaixo de 4,8% ao mês para pessoas físicas, enquanto 90% cobravam até 4,5% de pessoas jurídicas. O resultado de pedidos de crédito para as 43 fintechs pesquisadas dobrou para 6,4 milhões de solicitações em 2018, enquanto o total de crédito concedido por elas passou de R$ 804 milhões, em 2017, para R$ 1,195 bilhão no ano passado.

O horizonte é positivo, mas o credor também precisa dar uma força às empresas na hora de pedir um empréstimo para ter um “sim” como resposta. Veja as principais recomendações dos especialistas deste setor:

Avalie a sua motivação
Mylena, da Lendico, aconselha ao consumidor ou empresário pensar no que motivou sua decisão de tomar um empréstimo. “O crédito tem que ser uma alavanca para você investir em algo. O consumidor deve entender o que ele quer resolver com aquilo para saber se a proposta de crédito que está recebendo vale a pena. Se for, por exemplo, trocar uma dívida cara do cartão, será que aquele crédito é suficiente para solucionar sua dívida?”, explica a executiva.

Os principais motivos para pedidos de crédito junto à empresa em setembro foram pagamentos de dívidas, em primeiro lugar (45%), e empreender, em segundo (26,7%). Outros motivos mais comuns são pedidos de crédito para imóveis (11,67%), compras (7,92%) e educação (4%).

Construa uma boa reputação
Criar um histórico de bom pagador ajuda bastante na aprovação de crédito, ressalta Rafael, da ABCD. Ele recomenda avaliar seu score de crédito em serviços gratuitos como Serasa Score. Outra orientação é criar um relacionamento com o credor, seja fintech ou banco. “Se for tomar crédito novamente, busque soluções com quem você já tem um tipo de relacionamento. Isso também ajuda a negociar uma condição melhor“, ele afirma.

Não deixe o tempo passar
Não demore para pedir crédito para não dificultar sua situação. “A média de tempo entre a pessoa reconhecer que precisa de ajuda e pedir o crédito é de dois meses e meio”, afirma Eduardo, da Noverde, com base em um levantamento feito pela fintech em 2017. Ele lembra que tomar um empréstimo não é uma situação irreversível e se conseguir resolver sua situação antes do fim das parcelas pode quitar a dívida com desconto.

Calcule o valor certo para empreender
O crédito pode ser essencial para levantar seu negócio, mas é importante calcular se a quantia de crédito que você vai pedir é suficiente para realizar o objetivo. “Caso contrário, a pessoa vai adquirir uma dívida sem conseguir colocar de pé o negócio que vai gerar renda para ela”, alerta.

Seja transparente
Finalmente e não menos importante: é preciso que sua história seja coerente. Mylena reforça que tudo o que for dito no primeiro contato vai ser checado minuciosamente então é melhor explicar sua real situação na hora de tomar um empréstimo. Vamos fazer consultas a bases de mercado para checar a coerência da história”, ela explica. Então quanto mais transparente o cliente for mais chances ele tem de seguir em frente no processo de aprovação.

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