Se o seu celular parar de receber notificações e chamadas pode ser um sinal de que seu chip foi clonado, colocando seus contatos à mercê de golpes ou arriscando seu precioso investimento em criptomoedas.

O golpe também chamado de SIM Swap é bem conhecido no mundo todo, mas desde o salto no valor do Bitcoin no ano passado, já limpou milhões de dólares em contas nas plataformas de negociação ou corretoras de criptomoedas, as exchanges. Tanto é que o combate ao SIM Swap tornou-se uma prioridade para o REACT (Regional Enforcement Allied Computer Team), uma unidade de combate a crimes cibernéticos baseada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.

No Brasil, os criminosos costumam usar os chips clonados para aplicar golpes via WhatsApp onde o criminoso se faz passar pela vítima e troca mensagens com seus contatos pedindo uma transferência de dinheiro de emergência.

Para clonar o chip do celular, “o criminoso, em posse dos seus dados, vai à loja de uma operadora, se passando por um parente, e pede para ativar seu número de celular em um novo chip – isso também pode envolver vazamento de informações e a colaboração de alguma pessoa de dentro da operadora. Ao instalar o WhatsApp, o golpista acessar todas as suas conversas e quem recebe a mensagem acredita que é o contato verdadeiro e envia o dinheiro”, explica Fabio Assolini, pesquisador da empresa de segurança Kaspersky Labs. Segundo ele, muita gente já perdeu dinheiro com esse golpe, incluindo empresas e executivos.

No caso de roubo de Bitcoins a principal entrada dos criminosos vem das autenticações de serviços das corretoras por mensagem de texto (SMS). Ao fazer a ativação, o chip anterior para de funcionar e todas as notificações que você receberia irão para este novo chip.

Ao receber as notificações no lugar da vítima, o criminoso simula que esqueceu sua senha e recebe um SMS com um código para criar uma senha nova. Dessa forma ele consegue acessar diversos serviços que podem ser tanto seus e-mails como uma loja online ou sua conta de criptomoedas.

Nos Estados Unidos, onde há muitas exchanges, os criminosos estão preferindo fazer o ataque contra pessoas que têm contas nestas empresas do que diretamente nas plataformas das corretoras. No final de setembro, a Força-Tarefa da REACT encabeçou uma investigação que levou à prisão de dois homens do estado do Missouri acusados de realizar SIM Swaps para roubar 14 milhões de dólares de uma empresa de criptomoedas da Califórnia.

Felizmente, no Brasil, a maioria das corretoras de criptomoedas evita a dupla autenticação por mensagem de texto, preferindo os aplicativos de autenticação. Mas o especialista em segurança alerta que não é saudável deixar seu investimento em criptomoedas na conta da corretora. “As pessoas tratam a corretora como banco e isso é perigoso porque a corretora pode ser hackeada ou você pode sofrer um SIM Swap”.

A clonagem de chips é muito difícil de evitar, mas é importante saber identificar rapidamente se o seu aparelho foi clonado para evitar prejuízos. “Quando o chip é clonado a vítima não recebe notificações de WhatsApp, mensagens de SMS, nem chamadas de voz”, observa Fabio. Outra dica essencial, segundo ele, é dar prioridade ao uso de aplicativos para verificação em duas etapas ou recuperação de senhas. “Sempre que tiver escolha entre a verificação em duas etapas por mensagem de texto ou por aplicativo, escolha o aplicativo”, ele recomenda.

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