Currículo impecável, ficha limpa no cadastro de devedores, testes físicos e psicológicos, dinâmica de grupo? A partir do próximo verão no hemisfério Norte, a Body Shop vai jogar no lixo toda a parafernália do processo de admissão. No caso de uma vaga aberta, bastará responder a três perguntas, com um sim ou não, e o lugar será de quem chegar primeiro. As três perguntas se resumem a: você pode trabalhar nos EUA? Consegue ficar em pé durante oito horas? E consegue levantar mais de 50 pounds (o equivalente a pouco menos de 23 quilos)?

A revista “Fast company” publicou artigo sobre a iniciativa que, em inglês, se chama “open hiring”, ou seja, admissão aberta. Seu objetivo é fugir do viés que, com frequência, acompanha o julgamento de recrutadores. Barreiras quase intransponíveis, como ter cumprido pena ou ter consumido drogas, não mais fecharão as portas para candidatos.

A empresa não é a primeira a seguir essa receita pouco ortodoxa. A Greyston Bakery foi a pioneira e não é à toa que seu slogan é: “não contratamos pessoas para fazer brownies; fazemos brownies para contratar pessoas”. Todos começam como aprendizes e os que completam a formação têm a chance de conseguir uma vaga de iniciante. Desde então compartilha sua proposta com outras companhias que também queiram inovar.

A Body Shop resolveu aderir ao time há cerca de um ano, ao repensar o propósito da empresa e direcioná-lo para “existimos para lutar por um mundo mais justo e belo”. Fez um ensaio em seu centro de distribuição, em setembro, quando contratou trabalhadores temporários já com essa abordagem. Eram cerca de 200 funcionários e o resultado foi surpreendente, com uma queda significativa na rotatividade de mão-de-obra. Os supervisores ouviram muitas declarações como: “esse foi o único lugar que me deu emprego, eu não vou estragar essa chance”.

O próximo lote de contratações da empresa alcançará entre 800 e mil pessoas – e desta vez não será mais um piloto. A discussão sobre como os processos de recrutamento são permeados de estereótipos e preconceitos é antiga e essa é uma oportunidade de ouro de repensar as regras vigentes. A direção da Body Shop decidiu que o dinheiro economizado em todas as etapas tradicionais de admissão será utilizado em treinamento e benefícios para os empregados.

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