Um novo estudo, divulgado mês passado na revista científica “Science Advances”, não deixa dúvidas sobre o que realmente faz bem aos seres humanos: ter tempo é algo mais valioso do que ter dinheiro. A pesquisa foi realizada com cerca de mil alunos que estavam se formando na Universidade de British Columbia, no Canadá, e repetida um ano depois. Nas duas ocasiões, os jovens tinham que responder a um questionário no qual avaliavam o quanto estavam satisfeitos com suas vidas, e em que medida haviam experimentado emoções positivas e negativas nas últimas quatro semanas.

Nos dois levantamentos, 62% disseram que valorizavam mais o tempo do que o dinheiro – e essas pessoas eram as que apresentavam um perfil mais feliz. Embora não possa comprovar causa e efeito, o trabalho sugere que a opção de privilegiar tempo para si mesmo, para a família e os amigos ajuda a pavimentar uma vida adulta com maior senso de realização. A pesquisa ouviu estudantes de diversas faixas sociais e o status econômico de suas famílias não foi determinante para as escolhas.

“As pessoas que escolhem o tempo decidem com base em significado versus dinheiro. Elas optam por fazer coisas porque querem, e não porque precisam”, analisou Ashley Whillans, professora da Harvard Business School. Entretanto, pontua, quem se forma com dívidas a serem pagas – no caso de ter apelado para algum tipo de crédito estudantil – acabará, pelo menos no curto prazo, privilegiando o dinheiro, uma vez que há uma pendência que se sobrepõe a todo o resto.

Não se trata do único trabalho que aponta nessa direção. Em 2016, pesquisa feita com 4 mil adultos norte-americanos mostrou que os mais felizes eram os que haviam construído suas trajetórias em cima de valores que prezavam o tempo em detrimento do dinheiro. Em 2017, o Pew Research Center fez um levantamento sobre o que trazia significado à vida dos norte-americanos e a família levou o primeiro lugar com folga:  69% cravaram esta opção. A carreira ficava em segundo (34%) e dinheiro em terceiro (23%).

Estudiosos vêm tentando mapear qual seria o patamar financeiro mínimo para a felicidade. Segundo o Gallup, que ouviu 1.7 milhão de indivíduos, essa cifra seria algo entre 60 mil e 75 mil dólares por ano, o equivalente a no mínimo 5 mil dólares (pouco mais de 20 mil reais) por mês. É claro que a variação é enorme de uma região para outra e esse número foi puxado para cima pelos países ricos. Mas poder privar da companhia de entes queridos não tem preço.

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