Dispostos a se proteger dos altos e baixos característicos do Bitcoin, do Ethereum e de outras criptomoedas, além de buscar mais facilidade em transações entre corretoras de criptoativos, investidores desse setor têm recorrido às stablecoins. Como o nome indica, estes ativos digitais prometem mais estabilidade já que foram criados para ter paridade com ativos como dólar, euro, libra entre outros.

O termo stablecoin ganhou mais visibilidade com o anúncio da Libra, projeto de moeda digital liderado pelo Facebook ao lado de grandes empresas do setor de meios de pagamentos, que se baseia em uma cesta de diferentes ativos.

Atualmente a proposta do Facebook não passa por um bom momento. Desde o início do mês, o PayPal anunciou sua saída do projeto, seguido de Mastercard, eBay e Visa, segundo informações do jornal The Wall Street Journal. Para completar, na última semana uma investigação do G7 sobre a Libra mostra a preocupação das sete maiores economias do mundo com o impacto da moeda digital no equilíbrio do sistema financeiro mundial.

Hoje em dia há diversas stablecoins circulando por aí. Dai, Tether, TrueUSD e USD Coin estão entre os ativos mais populares da categoria. O Tether é a stablecoin mais movimentada nesse setor, mas tem sido alvo de suspeitas. Em abril deste ano, a procuradoria geral de nova York acusou sua controladora, a iFinex, e a corretora Bitfinex de usar uma reserva em Tether para cobrir um rombo de 850 milhões de dólares.

A referência em moedas estáveis não significa que as stablecoins sejam uma alternativa para quem quer investir em criptomoedas sem emoção. Os especialistas não recomendam a stablecoin como uma opção de investimento. “Para quem ainda não tem investimento em criptoativos ou quer complementar a carteira é importante enfatizar que stablecoin não é um investimento, mas sim um instrumento de acesso a mercados de negociação de ativos digitais”, alerta Safiri Felix, diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

Ele afirma que as stablecoins são usadas principalmente entre investidores e operadores de criptoativos “pela facilidade de se mover recursos de uma corretora para outra sem necessidade de depender da infraestrutura do sistema financeiro tradicional”.

Outra utilidade destes ativos é permitir a inclusão de pequenos investidores em oportunidades geralmente restritas a grandes aportes. “Vale investir em uma stablecoin referenciada em dólar se você quiser ter uma posição em dólar principalmente se  tiver pouco dinheiro”, observa Reinaldo Rabelo, diretor de Novos Negócios do Mercado Bitcoin.

Reinaldo conta que é muito difícil conseguir entrar em um fundo cambial, ou em um investimento atrelado ao dólar com um ticket menor. “Um fundo cambial vai geralmente exigir uma aplicação acima de 50 mil reais, além da classificação de investidor qualificado e todas as regras do mercado tradicional”.

Thiago Padovan, co-fundador da Blockchain Academy, observa que fato de ser estável faz com que uma stablecoin não traga justamente o horizonte de valorização que muitos buscam nas criptomoedas como o Bitcoin. Ele visualiza o uso das stablecoins como uma forma de facilitar a conversão em moedas estrangeiras e facilitar transações internacionais, bem como uma alternativa para reduzir perdas em economias mais frágeis. “É uma oportunidade interessante ter uma moeda digital atrelada a uma moeda forte. Assim, o investidor pode rapidamente converter o recurso numa stablecoin e não ter o risco da desvalorização”.

Um alerta importante: geralmente a stablecoin não é convertida diretamente em dólar, euro ou em outra moeda com a qual tem paridade. “Ser referenciada em dólar é diferente de ter o lastro em dólar”, diz o presidente da ABCripto fazendo uma comparação a um cartão de refeição. “Você não consegue sacar um real com o vale-refeição mas consegue comprar algo que equivale a um real”.

Safiri diz que o volume de negociações de stablecoins ainda é baixo no Brasil, mas o país já tem projetos próprios de ativos referenciados em real. Um deles é o BRZ, anunciado em maio pelo grupo suíço Transfero Swiss .

Volátil ou estável, o investimento em criptomoedas requer muita pesquisa para não cair em mãos erradas. “Não duvido que ocorram esquemas fraudulentos dizendo que há uma nova stablecoin por aí quando não existe nada. É preciso ter bastante estudo e entender o mercado”, aconselha Thiago.

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Stablecoins: saiba como são usados os criptoativos atrelados a moedas estáveis
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