De uma hora para a outra, o chefe, sempre receptivo às suas ideias, começa a ignorá-lo. Ou faz uma observação irônica, hostil. Dali em diante, sua vida se transforma numa montanha russa: num dia, um elogio; no outro, uma espinafração que detona a semana. A etapa seguinte é começar a temer o ambiente corporativo. Afinal, o risco de ir do céu ao inferno é diário. Você passa a não querer se expor, retrai-se e evita dar sugestões – de repente, todo aquele ímpeto e energia dedicados ao trabalho se esvaem. Se a situação persistir, sua posição é de sério candidato a estresse, burnout, depressão.

Você pode estar sendo manipulado sem se dar conta e a primeira providência salutar é reconhecer isso. Manipulação tem a ver com controle: quem faz esse jogo tenta desestabilizar o outro e criar um clima de insegurança no qual possa dar as cartas. Preste atenção em alguns indicativos desse ambiente tóxico. Em primeiro lugar, você se sente obrigado a fazer tudo o que essa pessoa pede (ou exige)? Se, numa eventualidade, é capaz de recusar um pedido descabido, o manipulador consegue fazê-lo sentir-se culpado? Essa é uma estratégia típica de quem quer controlar até a respiração alheia. Outro sinal: na tentativa de se adaptar, você faz todo tipo de concessão, mas nunca parece ser o bastante para agradar. Seu horário de trabalho foi ampliado, abdicou da vida pessoal e até concordou em cruzar limites éticos que tiram seu sono. Já imaginou o que virá depois?

Além de não conseguir prever a reação do chefe ou gestor, você se sente cada vez mais desprestigiado. Seu pensamento recorrente é: “o que será que fiz de errado?”. O processo de desvalorização pode começar de forma sutil e, aos poucos, ganhar contornos inimagináveis de grosseria. Sua opinião é descartada e a sensação de ser inadequado aumenta.

Para pensar: a presença desse manipulador faz com que se sinta deprimido? Às vezes dá vontade de chorar? Muito cuidado, é grande o risco de adoecer! Provavelmente, durante um longo período você se submeteu e fez concessões, muito além do limite do razoável. Criar limites claros desde o início é o modo mais eficiente para rechaçar a manipulação. No entanto, se a situação já estiver instalada, será preciso buscar ajuda no setor de recursos humanos, tentar uma transferência ou fazer a escolha entre a saúde e o trabalho – e sair da empresa.

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