Quando a situação aperta e a oferta é restrita, para a esmagadora maioria não há saída: é preciso se adaptar ao que é oferecido até surgir algo melhor. No entanto, mesmo que você não seja um privilegiado que pode se dar ao luxo de escolher, sempre pode (e deve) esperar dias melhores e um convite sedutor. A questão é não se deixar levar pela tentação da simples mudança pela mudança no primeiro aceno para sair de onde está – e ficar atento para sinais que possam indicar que talvez você esteja prestes a embarcar num ambiente tóxico.

Claro que é difícil conhecer a cultura de uma empresa numa entrevista de 20 minutos de duração. Mesmo que você leia sobre a organização, os problemas estarão devidamente trancafiados num armário, ainda mais se for um candidato desejado. Como não se pode contar com um “informante” lá dentro, vale observar alguns indícios que deem uma pista de que essa oferta de emprego pode se transformar numa roubada.

Em primeiro lugar, não fique ligado apenas em seu interlocutor/entrevistador. Observe o ambiente e como as pessoas se comportam: elas parecem tensas, como se preferissem não estar ali? Ou conversam entre si, mostram-se relaxadas e cooperando umas com as outras? A hora do almoço é uma boa oportunidade para sentir o clima: os funcionários saem em grupos animados ou a maioria come ali (até mesmo em suas estações de trabalho) sem conversar e ter um tempo mínimo para refrescar a cabeça? Ainda no quesito ambiente: antes de sair, peça para ir ao banheiro e veja em que condições ele se encontra. Quando os empregados estão ressentidos ou não respeitam a empresa, costumam “descontar” no banheiro, por ser um local mais privado.

Se o lugar cultiva um bom clima organizacional, haverá representantes em seu departamento com quem conversar. Ou alguém que passou pela área ou por seu futuro posto estará em outra posição na companhia. Não? Não sobrou ninguém que tenha sido promovido ou remanejado para contar uma história? A menos que a proposta explicite que o objetivo é exatamente trabalhar em terra arrasada para construir outra cultura – e você acredite nisso – é bom ter cuidado onde pisa. Uma alternativa é usar o LinkedIn para ouvir seus pares, dizendo que está pensando em trabalhar ali. Piyush Patel, autor de “Lead your tribe, love your work” (em tradução livre, “Lidere sua tribo, ame seu trabalho”), afirma que é surpreendente como as pessoas compartilham informações que não mascaram a realidade. Por último, pergunte como a alta diretoria funciona: está presente no dia a dia da empresa? Esse é um bom sinal de que haverá olhos e ouvidos atentos que monitoram a qualidade do trabalho e poderão reconhecer seu talento e disposição. E boa sorte!

 

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