Fazer uma transferência internacional costumava ser uma tarefa cara e complexa há alguns anos. Hoje é possível transferir dinheiro do Brasil para diversos países de forma rápida, 100% online e, o melhor, com taxas que cabem no bolso. Os responsáveis por esta revolução são fintechs como TransferWise e Remessa Online que você vai conhecer melhor na coluna desta semana.

Já imaginou transferir dinheiro para a conta de outro país usando apenas seu e-mail como cadastro? Pois a facilidade de uso é um trunfos de jovens empresas como a TransferWise, que nasceu em janeiro de 2011 com base em uma necessidade real. Alguns anos antes, os amigos estonianos Taavet Hinrikus e Kristo Käärmann se depararam com um problema financeiro. Um deles recebia o salário em libras, mas precisava pagar contas em euros enquanto o outro recebia em euros, mas vivia na Inglaterra precisava se virar em libras.

A solução para não perder dinheiro diante das altas taxas bancárias de transferência internacional foi fazer uma espécie de intercâmbio de transações, usando suas contas localmente. A parceria deu certo, foi envolvendo outros amigos até que Taavet e Kristo descobriram que muitas pessoas tinham o mesmo problema e decidiram criar uma empresa para eliminar as fronteiras do dinheiro.

Hoje a TransferWise opera em 71 países e o Brasil, onde opera desde 2016, está entre seus cinco maiores mercados. O maior uso da plataforma pelos brasileiros envolve pessoas que precisam enviar dinheiro para a família, que vão se aposentar ou estudar fora. Atualmente, o Brasil consegue fazer transações com 44 países e os destinos mais frequentes são Estados Unidos, Portugal, Canadá, Reino Unido e Austrália.

Seus clientes são atraídos pela facilidade de uso e pela ausência de taxas fixas, exceto o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que varia de 0,38% (para contas de terceiros) a 1,1% (para contas de mesma titularidade). As taxas praticadas pelo serviço são variáveis, mas não costumam passar de 3.6% do valor transacionado. Por enquanto o serviço da TransferWise é restrito a pessoas físicas, mas a startup planeja lançar em breve uma versão para pequenas e médias empresas.

Para reduzir as taxas de transferência, a TransferWise não usa um sistema tradicional onde o dinheiro segue diretamente de uma conta para outra. Fiz o teste do serviço em uma transferência para a Itália. Após cadastrar o e-mail, você escolhe o valor a transferir – o cálculo da conversão cambial é automático – cadastra a conta internacional de destino e aí faz um TED para a conta local da TransferWise no Brasil. Para isso, a empresa conta com instituições bancárias parceiras no mundo todo. Por aqui, os parceiros são o Banco Rendimento e o MS Bank. Na sequência, automaticamente, o serviço transfere o valor de uma conta parceira na Itália para a conta de destino também fazendo uma TED. A maioria das transferências ocorre em até 24 horas.

Para termos uma ideia, as taxas cobradas pelos bancos em uma transferência bancária internacional podem variar de 30 a 250 reais, (veja aqui uma tabela comparativa no site da TransferWise). Outras taxas atreladas a operações financeiras entre países são o Spread – diferença entre a cotação comercial da moeda estrangeira e o valor pago pelo banco para a realização da operação – e o código SWIFT (sigla para Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais, em português), que conecta as contas das instituições financeiras ao redor do mundo para que a transferência de valores aconteça. A taxa para o uso do código de conexão tem um valor fixo de 20 dólares, mas alguns bancos podem cobrar valores maiores.

O serviço Remessa Online é outra alternativa no mercado só que dedicado ao envio de valores do Brasil para o exterior – sem recebimento de outros países pra cá. Hoje o serviço permite enviar dinheiro a 80 países (veja aqui a lista de países parceiros) incluindo transferências para pessoas físicas, para pagar cursos e tratamentos médicos, aluguéis, produtos e ainda fazer aplicações em corretoras de investimento fora do país. A empresa também conta com uma versão do serviço para empresas, a Remessa Online for Business.

Neste serviço, usuários pessoa física pagam as taxas de Spread, que varia de acordo com o valor da operação e tem descontos progressivos conforme o volume transacionado, a taxa SWIFT, que é isenta em transferências de maior valor, e o IOF. Mesmo com as taxas, os criadores do serviço informam que as transações pelo serviço podem ser custar até 8 vezes menos comparadas a uma transferência bancária internacional.

O valor das transferências é limitado em ambos os serviços, de acordo com normas que regulam temas relativos à lavagem de dinheiro e a conformidade com as leis nas trocas comerciais. A TransferWise permite transferências de até 30 mil reais com o cadastro simples. Conforme o usuário alcança alguns números mais altos, o suporte pede alguns dados e documentos para checagem. Na Remessa Online é possível enviar até 65 mil reais por ano com o cadastro simples. Para transações de valores mais elevados, segundo a empresa, é preciso fazer um cadastro completo. “Dessa forma, você terá acesso a um limite definido a partir do total de bens e direitos declarados no seu Imposto de Renda”, informa o serviço.

E é preciso declarar remessas internacionais no Imposto de Renda? Sim, se elas foram superiores a 140 reais no ano. No entanto,  a declaração é opcional para quem enviou dinheiro a familiares ou para pagar cursos no exterior, por exemplo, e pode ser uma vantagem na declaração completa do IR. Conforme explica o site do Remessa Online, o valor deve ser declarado na categoria Bens e Direitos considerando o câmbio do dia 31 de dezembro do ano anterior. Aliás, vale sempre lembrar que o prazo para o envio da declaração do Imposto de Renda 2019 vai até 30 de abril.

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