Escolher e contratar o seguro de um veículo não costuma ser uma tarefa muito fácil. Afinal, é melhor pagar um pouco menos mas se arriscar no caso de um sinistro, ou já desembolsar uma quantia mais alta para ter tranquilidade, mesmo que não use nem um serviço de guincho naquele ano? Agora imagine que você pode escolher o que realmente deseja contratar no seguro do seu carro e ainda alterar a cobertura daquele mês para uma área de atuação mais ampla porque foi viajar no fim de semana. Estas são algumas das facilidades que vem atraindo consumidores para as insurtechs, empresas que estão revolucionando o mercado de seguros por meio da tecnologia.

A ideia de democratizar a oferta de seguros e torná-la acessível a consumidores que até então não eram segurados deu origem a empresas como ThinkSeg e Youse, que vem ganhando cada vez mais espaço do mercado tradicional de seguros de veículos.

A redução do valor do seguro é um trunfo das insurtechs para conseguir aumentar a base de clientes. “Assim como as fintechs têm a missão de democratizar o acesso ao banco, a missão é trazer aquele indivíduo que não compra seguro porque acha que é caro e não é transparente”, afirma Andre Gregori, CEO da ThinkSeg. A empresa criada em 2016 atua tanto em parceria com outras seguradoras como por meio de sua própria corretora online, a Bidu, adquirida no ano passado.

Outro fator de atração para as novas plataformas é a transparência. “Muitos brasileiros contratam o seguro sem saber o que estão contratando. A gente dá autonomia e educa o cliente para mostrar o que é um seguro, tirando o medo sobre a contratação”, explica Felipe Ramos, gerente de produtos da Youse. A plataforma de venda de seguros online da Caixa Seguradora completou 3 anos na última semana com um aumento de 55% na base de clientes no último ano, em relação a 2017.

Desburocratizar também é palavra-chave no universo das fintechs. Com a aplicação de sistemas de inteligência artificial, Gregori explica que é possível acelerar o processo de contratação do seguro. “O mercado trabalha com 30 a 40 perguntas. Aqui ninguém vai te ligar e as perguntas que são muito mais rápidas”, compara. Com a análise de dados dos clientes, que respondem a nove perguntas iniciais na simulação do seguro automotivo, também é possível traçar perfis de menor risco e reduzir o valor do contrato. “Uma pessoa que anda pouco com o carro, em torno de 20 quilômetros por dia, pode chegar a pagar 50% menos”, ele estima.

Pague o quando e como dirige
O próximo passo das insurtechs brasileiras é aplicar a tecnologia para identificar quando e como o segurado dirige e, assim, oferecer pacotes de cobertura ainda mais flexíveis.

No fim do ano, a Youse se prepara para lançar o modelos de pagamento conforme o uso do veículo (“pay when you drive”) e a contratação de acordo com o perfil do motorista (“pay how you drive”). Este último, segundo Felipe Ramos, já tem como base o aplicativo gratuito de educação do trânsito Youse Trips, lançado no ano passado. O app monitora e avalia a direção do motorista, dando dicas e prêmios pelo bom comportamento ao volante.

A ThinkSeg também está fazendo testes nos modelos “pay per use” e “pay how you drive”. “Se você está no estacionamento de um shopping não precisa de cobertura contra roubo, por exemplo”, observa Gregori. O aplicativo gratuito da ThinkSeg,que hoje monitora o condutor e oferece recompensas em dinheiro aos bons motoristas, vai passar a analisar variáveis como a velocidade, trajeto e horários para calcular o risco do seguro. “Isso vai baratear o seguro para quem roda pouco ou que usa o carro no fim de semana, por exemplo”, prevê o executivo.

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