Quando a gente fala de Bitcoin e de outras criptomoedas tudo acontece em meios eletrônicos e online. Mas um grupo de empresas desse setor está abrindo agências físicas para atrair o investidor que busca uma negociação mais olho no olho do que olho na tela.

Na próxima quarta-feira (3), o grupo BitcoinBanco abre sua segunda agência bancária de criptomoedas em São Paulo, no bairro do Itaim. A primeira foi aberta em Curitiba, no fim do ano passado e parece que a experiência deu certo.

Conforme explica Jaime Schier, diretor comercial do grupo, a ideia de abrir agências físicas é prestar consultoria de investimentos e mostrar para o público que trabalhar com criptomoedas não é só usar o benefício de compra e venda.

Pode parecer estranho o uso do nome banco, mas faz sentido, já que estamos falando de um local onde se depositam ou retiram valores.

O conceito de banco já existia antes mesmo das cédulas ou moedas. Na Balilônia, as pessoas guardavam objetos de valor ou cereais nos templos para terem mais segurança. E os sacerdotes não cobravam por isso, mas podiam emprestar os bens que estavam guardados e recebiam um pagamento em troca.

Aqui neste caso, o banco guarda criptomoedas. O único momento em que o cliente vai ver reais será na hora de comprar bitcoins ou outra criptomoeda, caso ele já não tenha. E se for comprar, conforme explicou o Jaime, ele deve usar a corretora NegocieCoins, que é uma das seis empresas do grupo.

O banco trabalha com alguns produtos de investimentos como empréstimos por 90 ou 180 dias, com ou sem possibilidade de trade. “Em todos eles o cliente ‘empresta’ seus bitcoins para a empresa, que oferece uma compensação de 1% ao mês com base no valor investido”, explica a empresa.

E como o banco consegue devolver esse valor? Segundo o executivo o retorno vem das taxas pagas nas operações de compra e venda de criptomoedas feitas nas duas corretoras do grupo a NegocieCoins e a Zater Capital. “Não usamos a volatilidade, mesmo porque o Bitcoin, por exemplo, está menos volátil”, comenta Jaime.

E quem vai à agência de criptomoedas? O diretor comercial comenta que o perfil dos investidores é diferente daquele de quem negocia direto a compra e venda. “São pessoas que não necessariamente conhecem criptomoedas mas que têm interesse em conhecer e que já tem investimentos em moeda fiduciária”, ele observa.

Olhando os dados da agência de Curitiba, aberta no fim do ano passado, 11% dos clientes têm mais de 60 anos e a maioria tem a partir de 35 anos de idade. O número de clientes o BitcoinBanco não releva, mas afirma que os 52 mil usuárioss da Negociecoins já são clientes do banco, de certa forma.

Somente essa exchange movimentou mais R$ 3,6 bilhões entre janeiro e junho deste ano. De acordo com o banco, o volume representa cerca de 40% do total das transações de criptomoedas no Brasil.

O banco não exige um mínimo em criptomoedas para quem quiser abrir uma conta. Quem fechar o contrato ganha um número de carteira virtual e pode acompanhar seu histórico, ou seu extrato, por um aplicativo. A ideia aqui é complementar o portfólio de investimentos.

Vale lembrar que esse não é um banco que segue as regras do Banco Central, nem é regulado pela CVM porque criptomoedas não são reguladas por aqui. “Estamos torcendo e queremos fazer parte da regulamentação no Brasil”, diz Jaime.

A abertura de agências físicas é uma estratégia para que o pool de empresas ganhe a confiança dos clientes. “Isso já demonstra nossa vontade de aproximar o mundo das criptomoedas do cliente”, reforça.

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São Paulo ganha agência física de criptomoedas
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