As criptomoedas tiveram um ano difícil quando se fala de valorização. O Bitcoin, que lidera o segmento, abriu o ano cotado a 13.657 dólares e deixou 2018 valendo mais de 3 vezes menos, cotado a 3.742 dólares, segundo o histórico do Bitcoin pela Coinmarketcap. Por outro lado, o volume de aplicações da tecnologia blockchain abriu oportunidades de negócios em diversos setores da economia. Então o que o brasileiro que deseja investir ou empreender neste mercado deve esperar para este ano? Confira as visões de diferentes especialistas no setor em relação a investimentos para este ano. Na próxima coluna vamos falar dos aspectos de regulação e segurança dos criptoativos aqui no Brasil.

Quando se fala em valor de mercado, o Bitcoin e outras criptomoedas devem andar de lado em 2019, sem grandes saltos como o de dezembro de 2017, quando o Bitcoin chegou a valer mais de 20 mil dólares. Para Marco Carnut, CEO da CoinWise, a desvalorização do Bitcoin teve um efeito depuratório. “A valorização descomunal em 2017 colocou muita gente desastradamente nesse mercado, muita gente sem entender e até picaretas. Houve muita gente fantasiando sobre as critpmoedas”, observa.

Na avaliação de Jaime Schier, do Bitcoin Banco, os criptopativos estão deixando a fase de especulação. “Hoje você trabalha mais como um mercado tradicional, porém ainda aproveitando momentos de alta e baixa”, ele observa.

Para quem já possui investimentos em criptomoedas o conselho é segurar a carteira virtual. “Quem comprou no pico de valorização viu um decréscimo de 80%. Minha sugestão é manter a carteira para evitar uma perda significativa”, afirma Natália Garcia, sócia da exchange FoxBit.

Já para quem ainda não possui criptomoedas no portfólio, mas tem interesse em investir, Natália nota que “este é um bom ano para colocar um pezinho nas criptomoedas” e prevê que o Bitcoin fique entre 3 mil e 4 mil dólares este ano. Ela lembra que, em 2020, está prevista uma nova redução no volume de Bitcoin liberados, o que deve valorizar a moeda. “Todo mundo que produz bitcoin vai ter um decréscimo de metade do que ganha para continuar produzindo moedas, o que deve tornar o custo da produção alto e pode aumentar o valor do Bitcoin”, afirma a especialista.

Cautela nunca é demais diante de um ativo de alto risco e com volatilidade grande, atrelada ao mercado externo e à tecnologia. “Minha indicação é não investir mais do que você esteja disposto a perder e que não vai te prejudicar’, aconselha a especialista.

Apesar da lateralidade, o mercado pode ganhar algum fôlego ainda no primeiro trimestre com notícias vindas dos Estados Unidos. “A Bolsa de Nova Iorque está prevendo a criação de uma plataforma para negociação de Bitcoins e a SEC (Securities and Exchange Comission) avalia a aprovação de fundos ETF (Exchange Traded Funds) nos EUA, o que pode trazer atenção para o Bitcoin”, observa Schier.

Nesse sentido, Jaime destaca uma onda de novas criptomoedas atreladas ao mercado imobiliário – real state cryptocurrencies. Segundo ele, há pelo menos 14 criptos para o mercado imobiliário e o Bitcoin Banco tem trabalhado com a Leax Coin há cerca de 2 meses. “A ideia de investir no imóvel sem comprá-lo”, ele explica. “Se isso se concretizar é a união do investidor mais agressivo com o mais conservador, tendo como base o índice do mercado imobiliário o que aumenta a credibilidade”, afirma.

Os pagamentos com criptomoedas também devem ganhar fôlego em 2019. Marco Carnut diz que 2018 foi um ano mais devagar porque as pessoas queriam guardar as criptomoedas diante da queda no valor. Hoje a empresa conta com 200 clientes no Brasil. “Mas no fim do ano a gente nunca teve tanta gente querendo aceitar pagamento em criptomoedas”, ele afirma.

Na visão do especialista, o movimento sinaliza que as pessoas estão entendendo a criptomoeda como moeda, de fato, antes de ser qualquer outra coisa. “Ela foi originalmente criada para ser uma unidade de valor para transações, só que na era da internet e com a contabilidade perfeita”, analisa.

A volta aos princípios do que foi o Bitcoin, quando criado há dez anos, segundo Carnut, vai trazer um avanço gradual para os negócios em torno desse mercado, incluindo os meios de pagamentos. “Acho que as pessoas estão percebendo que o Bitcoin é muito mais do que o preço do Bitcoin. O preço é um fenômeno que ocorre em uma parte do mercado. É um fator importante, mas não é o único e não é o todo”, conclui.

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