Como vão as suas notas… de crédito? Com a implantação da nova fase do Cadastro Positivo prevista para os próximos dois meses você provavelmente vai saber qual o seu score de crédito, assim como milhares de consumidores, incluindo a população não-bancarizada.

O novo sistema deve entrar em operação comercial nos próximos dois meses – atualmente os bureaus de crédito devem atender à regulamentação concluída recentemente pelo Banco Central – envolve a análise de bases de dados bancários e de pagamentos de serviços como água, luz, gás e celular para criar um modelo mais completo de avaliação de perfis de crédito.

Desta forma os bancos, empresas de crédito e varejistas terão mais informações e segurança para conceder empréstimos e liberar financiamentos. “O cadastro já é usado hoje e vai ganhar mais impulso com o processo de autorização do Banco Central”, afirma Elias Sfeir presidente de Associação Nacional dos Bureaus de Crédito. “É uma maneira mais justa e equilibrada de fazer sua avaliação de crédito”, afirma.

Fazendo uma comparação simples em relação ao cadastro dos “negativados” e o “positivo”, Elias explica “negativo é uma fotografia e o positivo passa a ser um filme do perfil de crédito da pessoa”. Ele também destaca que o novo modelo vai empoderar o consumidor que pode usar suas boas notas de crédito para conseguir condições mais favoráveis de crédito, além de inserir 25% da população que não é bancarizada. “São os invisíveis do crédito, que hoje ou não têm acesso ao crédito ou o recebem a taxas que poderiam ser mais justas”, afirma.

Big Data e Inteligência Artificial
Considerando as fontes de informações e o número de pessoas, para chegar a um score os bureaus de crédito terão que analisar um volume gigantesco de informações. E aí entram em cena tecnologias como Big Data, para analisar grandes quantidades de dados, machine learning, capaz de aprender com a análise de dados e aperfeiçoar as tarefas – e inteligência artificial.

Ricardo Thomaziello , diretor executivo de dados da Quod, fintech de crédito criada por cinco grandes bancos brasileiros – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander – conta que a tecnologia é fundamental para o avanço do novo modelo de classificação dos perfis de crédito. “O score é construído com informações históricas, por modelos matemáticos e estatísticos, e cria uma regra”, ele afirma.

Um ponto interessante, quando se fala de análise mais justa, é que a tecnologia var dar pesos diferentes para as ocorrências de inadimplência. Por exemplo: o atraso no pagamento de uma conta de telefone é diferente do que o de uma fatura de cartão de crédito.

O consumidor vai poder acessar gratuitamente suas informações nos sites dos bureaus para checar sua nota. “Uma pessoa pode ter a nota de 800 – em uma máxima de 1.000 – com uma possibilidade de inadimplência de X%”, explica Ricardo. Além da análise de crédito, o sistema permite prevenção de fraudes – outro serviço oferecido pela fintech.

Preparado para triplicar sua base de dados com o novo cadastro, o SPC Brasil montou um laboratório para estudar e testar novas tecnologias para refinar a análise do cadastro positivo, incluindo Big Data e metodologias de desenvolvimento ágeis.

Vilásio Pereira, gerente do SPC Brasil, observa que a redução da inadimplência foi um dos benefícios da implantação do cadastro positivo em países como os Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.“O Cadastro Positivo funciona como se fosse uma prova. Antes você só contava as questões erradas, hoje a nota final vai levar em conta as respostas certas”, observa o gerente do SPC Brasil.

Outros exemplos mais recentes e próximos são nossos vizinhos como Chile e Colômbia, que implantaram o sistema nos últimos cinco anos e também observaram melhores ofertas com o aumento da concorrência entre as empresas que oferecem crédito. “Vai haver uma democratização do crédito porque as informações que estavam concentradas em grandes bancos e grandes empresas vão chegar a empresas menores, que podem oferecer outros serviços ao consumidor”, analisa Pereira.

Entre os efeitos do novo cadastro, Elias, da ANBC, destaca a criação de linhas de crédito para as classes C, D e E, além de estimular a oferta em setores como o varejo, como a volta do clássico crediário. A associação estima uma queda de 45% nos níveis de inadimplência e um aumento de 48% para 68% da relação da oferta de crédito e o PIB nos próximos sete anos. “Nos Estados Unidos, que implantou o cadastro positivo há 30 anos, a relação de crédito é de 150% do PIB”, afirma.

Privacidade e segurança
Mas você vai fazer parte assim, automaticamente dessa base? Sim. O sistema que começou a operar no modelo ‘opt-in’ (você se cadastra se quiser entrar) vai passar a ser  ‘opt-out’, ou seja, você precisa pedir para sair porque seus dados e o score entrarão automaticamente nas bases dos bureaus.

A mudança foi questionada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) por “colisão com os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e o Código de Defesa do Consumidor” por não respeitar “a necessidade de consentimento do usuário antes de um tratamento de dados acontecer”.

Elias, da ANBC explica que o consumidor pode pedir para sair e retornar quando quiser. Ele explica que o pedido de retirada do cadastro só precisa ser feito em um bureau e então passa a valer para todas as bases de dados. Pereira, do SPC, complementa que o acesso aos dados é gratuito pelo consumidor. “O consumidor é dono do cadastro positivo. É um direito dele e ele pode sair”.

Ricardo, da Quod, também reforça a questão da segurança contra casamento de bases de dados. Segundo o executivo, o Bacen contratou equipes especializadas em testes de invasão para garantir que o sistema é seguro. “O Banco Central exige uma série de certificações e medidas de segurança da informação que garantem melhor gestão dos dados”, comenta. No nosso caso a informação vai ser usada para concessão de crédito e não para a venda de cadastro. Há uma questão muito séria de segurança a ser trabalhada”.

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