As perdas provocadas por invasões a serviços de negociação de criptomoedas continuam crescendo. Nos primeiros nove meses deste ano, o volume desviado nestes ativos chegou a US$ 927 milhões, de acordo com um relatório recente da empresa de segurança CipherTrace.

O estudo indica que as perdas são 3,5 vezes superiores aos níveis observados em 2017, que chegaram a US$ 266 milhões. A CipherTrace, que é uma empresa especializada em sistemas contra lavagem de dinheiro e roubos no sistema blockchain, estima que o volume vai ultrapassar US$ 1 bilhão até o final de 2018.

Gráfico mostra multiplicação do roubo de criptomoedas. (Fonte: CipherTrace)

O relatório avalia ciberataques que levaram ao roubo de criptomoedas e ofertas de moedas iniciais (ICOs) em  no terceiro trimestre: as corretoras Zaif (cerca de US$ 60 milhões), Coinrail (mais de US$ 40 milhões) e Bithumb (mais de US$ 30 milhões). Outras vítimas, além das corretoras, foram a plataforma de criação de tokens Bancor (US$ 23,5 milhões) e a Geth, um software para a rede Ethereum (mais de US$ 20 milhões).

Mas o roubo mais notável do ano, até agora, foi o ataque à  exchange japonesa Coincheck, em janeiro. A empresa perdeu mais de US$ 500 milhões em criptomoedas para os hackers. O segundo maior também ocorreu no início do ano, na Itália, com o sumiço de US$ 195 milhões da corretora BitGrail.

Os especialistas reconhecem que nada se compara ao caso da Coincheck, mas notam um aumento na incidência de roubos na faixa de US$ 20 milhões a US$ 60 milhões, que eles consideram de menor valor quando comparados a estes grandes ciberataques. De milhão em milhão, somando estas ocorrências já se foram US$ 166 milhões desde o relatório do segundo trimestre.

De acordo com o estudo, “esses dados indicam um padrão de roubos menores com regularidade e realizados por cibercriminosos sofisticados que exploram tanto vulnerabilidades expostas como usam táticas de engenharia social para enganar os funcionários das empresas”, usando um simples e-mail falso, por exemplo.

A CipherTrace também destaca que 97% dos pagamentos diretos de bitcoins de fontes identificadas como criminosas foram recebidos por corretoras de moedas digitais que não são reguladas.

A empresa também identificou mais de 380 mil Bitcoins recebidos por corretoras diretamente de fontes criminosas entre 9 de janeiro de 2009 e 20 de setembro de 2018. O volume mostra que 36 vezes mais Bitcoins de origem criminosa foram recebidos por corretoras de países onde a legislação de combate à lavagem de dinheiro é fraca ou inexistente.

O relatório também traz uma análise de alguns governos em todo o mundo (Bermudas, Malta, Canadá, México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão e Estados Unidos) que tomaram medidas mais rigorosas para conter os roubos ou que devem chegar a regulamentações mais rigorosas de combate à lavagem de dinheiro até o fim deste ano.

Na visão da empresa, a busca de muitos países por estabelecer regras para se transformarem em centros confiáveis da critptoeconomia vai dificultar o trabalho dos criminosos. “Oportunidades de lavagem de criptomoedas serão bastante reduzidas ao longo de 2019 e de 2020, se as regras de combate à lavagem de dinheiro forem aprovadas e aplicadas com sucesso no mundo todo”, prevê o relatório.

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Roubos de criptomoedas devem superar US$ 1 bilhão em 2018
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