Aos poucos as empresas que juntam tecnologia e novos modelos de negócios para trazer inovação ao mercado financeiro estão ganhando mais visibilidade aqui no Brasil.

De acordo com o Mapa das Fintechs Brasileiras, a maioria ainda tem um faturamento bem modesto se comparado ao das empresas tradicionais — 78% das startups brasileiras faturaram menos de R$ 500 mil nos últimos 12 meses e 16,6% superaram a faixa de faturamento R$ 1 milhão.

A análise foi feita pela Visa com base em informações de 230 startups inscritas esse ano no programa de aceleração promovido pela empresa. Ela mostra que uma em cada cinco fintechs brasileiras (22%) recebeu investimentos do tipo anjo ou de venture capital desde sua fundação.

Neste grupo, 55,4% captaram até R$ 500 mil, 17% entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, outros 17% entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, e, por fim, 10,6% obtiveram mais de R$ 2 milhões. O tempo entre a negociação e o aporte é de até seis meses para a maioria (63%).

Vale notar que a captação de investimentos está longe de ser o principal obstáculo nesse setor. A pesquisa mostra que a regulação é o grande entrave para quem empreende no mundos das fintechs, segundo 20,2% das empresas pesquisadas.

Neste quesito, o Banco Central vem tomando algumas medidas que abrem espaço para as fintechs. A mais recente ocorreu no começo deste mês, com uma determinação que facilita a entrada das startups de crédito com capital estrangeiro no sistema financeiro nacional. Nesta semana, o diretor de Política Monetária do Bacen, Reinaldo Le Grazie, reforçou que a ideia é estimular a oferta de novos serviços e a redução do custo do crédito no país.

Até agosto deste ano, o Brasil contava com 450 empresas de inovação no setor financeiro, segundo o Radar FintechLab, o que já representava um aumento de 23% no número de fintechs em relação ao fim do ano passado.

O segundo maior desafio para que estas empresas continuem avançando é cultural. De acordo com o Mapa das Fintechs, para 18,4% das empresas analisadas a resistência a novas tecnologias e a serviços também é uma barreira ao avanço dos seus negócios.

Os outros desafios mais citados pelas fintechs foram a concorrência (13,4%), o desenvolvimento próprio da startup (11,7%) e a burocracia das grandes empresas (10,6%). A captação de investimentos aparece na sétima posição entre os grandes obstáculos (8,4%).

O Mapa das Fintechs Brasileiras também mostra que mais da metade das fintechs (53,7%) atua no segmento B2B, voltado para empresas. Depois vêm as fintechs de transações financeiras e pagamentos (13,6%), de crédito (13,2%) e de gestão financeira (11,5%).

Na avaliação dos criadores do estudo, o mapa revela que os investimentos nas fintechs brasileiras estão crescendo e que é importante criar oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios com esses empreendedores. Aliás, as parcerias com essas startups estão entre as cinco reações que as fintechs provocaram nos bancos, conforme mostra uma reportagem recente do Financial Times (em inglês).

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Regulação é o principal desafio das fintechs no Brasil
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