“Comprei entradas para o cinema, posso reservar um restaurante perto?”. “Seu voo vai atrasar, quer que eu mude o horário em que o carro vem buscar você?”. Não, essas não são frases trocadas por um casal, e sim do assistente de voz Alexa, dispositivo da Amazon que desde outubro tem sua versão brasileira. O equipamento de inteligência artificial tem inúmeras qualidades e vem sendo apontado com um aliado valioso para os pacientes de demência – ao contrário dos seres humanos, responde à mesma pergunta inúmeras vezes sem perder a paciência.

No entanto, para se aperfeiçoar, a incansável Alexa precisa ter o maior número de dados sobre você. Se antes se limitava a tocar a lista de suas músicas preferidas, fazer soar o alarme para te acordar e dar notícias e a previsão do tempo, hoje é capaz de controlar milhares de equipamentos, de campainhas a TVs, passando por fones de ouvidos. Segundo a empresa, há bilhões de interações semanais que geram uma enorme quantidade de informação sobre o usuário: seus horários, preferências, principais rotas de deslocamento.

Rohit Prasad, cientista-chefe da divisão, contou à revista “MIT Technology Review” que a próxima etapa é tornar o assistente de voz cada vez mais proativo, antecipando-se ao que o usuário possa querer. Mas para que isso aconteça, Alexa terá que saber ainda mais sobre seu dono ou dona. Os novos produtos da Amazon, como os fones de ouvido sem fio e o anel inteligente (Echo Loop), que ficam coladinhos na pessoa, são perfeitos para desempenhar o papel de fornecedores de dados sobre todos os movimentos de quem os usa. Pensamentos também?

Do ponto de vista da privacidade, talvez estejamos caminhando sobre um campo minado. Como criar uma barreira para que informações íntimas não passem a integrar o circuito? Elas podem programar ações “proativas” que sejam embaraçosas. E como garantir que esses dados, em parte ou em sua totalidade, não sejam utilizados para anúncios e campanhas de marketing? Trata-se de um poder colossal que as empresas de tecnologia vêm acumulando, suscitando discussões acaloradas sobre os limites que devem ser impostos, o que incluiria desmembrar as companhias, segregando as atividades e assim limitando a excessiva concentração existente.

O assistente de voz Alexa: coleta de dados do usuário tornará o serviço cada vez mais eficiente / Divulgação

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