Há cerca de dez dias, o Glassdoor, site de levantamento de empregos nos Estados Unidos, listou 15 grandes empresas norte-americanas que já não exigem diploma universitário na hora de contratar seus funcionários. Entre elas estão Google, Apple, IBM, Starbucks e Hilton. Principalmente na área tecnológica, o importante é mostrar seus conhecimentos – não importa se foram adquiridos numa faculdade, em cursos on-line ou na base da tentativa e erro, em frente ao computador. Esse é mais um movimento disruptivo que está a caminho, capaz de abalroar a educação tradicional.

Se considerarmos que organizações de grosso calibre vêm criando universidades corporativas – mesmo que às vezes não tenham esse nome, seu objetivo é preencher as lacunas entre as exigências do mundo real e o que é transmitido nas salas de aula – o ensino superior talvez tenha que se reinventar. Ano passado, num movimento audacioso e lastreado por um investimento de R$ 36 milhões, a Pontifícia Universidade do Paraná (PUC-PR) anunciou a maior mudança de seu sistema educacional em quase 60 anos de existência. A ênfase agora está em criar diferentes competências para fazer frente aos desafios atuais e demandas do mercado, com foco em empreendedorismo e inovação. Empreender não é, obrigatoriamente, abrir uma empresa, e sim dominar habilidades cada vez mais valorizadas no ambiente privado e também no serviço público: ter iniciativa, ser capaz de negociar e resolver problemas, administrar bem seu próprio tempo. Até 2019, a metodologia será aplicada em todos os cursos.

De um modo geral, as faculdades não oferecem essas disciplinas a seus alunos, mas terão que se render às evidências. Vai ser a única saída para que esses estudantes tenham um kit de sobrevivência adequado para o ambiente V.U.C.A. (em inglês, acrônimo para volátil, incerto, complexo e ambíguo) da contemporaneidade. Como nada escapa da globalização, a internacionalização do ensino superior é uma realidade: as 136 universidades da Grã-Bretanha já têm 39 campi no exterior.

Não se trata apenas de abraçar as novas tecnologias disponíveis. É a própria transmissão de saber que muda de paradigma. Em vez de tradicionais aulas expositivas, jogos, realização de projetos e vivência de casos – experiências que permitam aos jovens desenvolver sua autonomia intelectual. O conteúdo não perdeu sua relevância, mas os novos profissionais terão que aprender a aprender, continuamente. Só assim serão capazes de se adaptar às sucessivas transformações do mercado de trabalho, que vão decretar o fim de muitas profissões em janelas de tempo cada vez mais curtas.

 

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