Por mais que se converse e se pense sobre o assunto, não há “vacina” eficaz o bastante para nos preparar para o golpe de uma demissão. Ainda mais se ela acontece no fim do ano, quando as contas se avolumam com as despesas dobradas do mês de dezembro. No entanto, dispensas nesta época pré-natalina têm se tornado frequentes. Com sua lógica muito peculiar, gestores defendem a tese de que, desta forma, a empresa estará pronta para começar o ano seguinte sem “gordurinhas”.

Para quem foi considerado peso extra, a experiência é dura. É quase impossível ter presença de espírito e ânimo para pedir uma avaliação do seu desempenho ao gestor que está fazendo o desligamento. Provavelmente ele quer dar cabo da tarefa o quanto antes, mas esta seria a hora de pôr as coisas em pratos limpos. Uma conversa franca e transparente (“afinal, onde eu errei?”) poderia ajudar bastante num próximo emprego; portanto, quando reprisar o filme dos últimos dias em sua cabeça, procure lembrar-se da existência de sinais sobre o que estava prestes a acontecer: por acaso você vinha recebendo feedbacks negativos da chefia ou tudo parecia ir às mil maravilhas? Se localizar indícios de que sua posição estava sob risco, esta é a oportunidade para uma eventual autocrítica sobre sua performance.

Dê-se o tempo necessário para se recuperar, mas tente ajustar o foco para o futuro. A pior alternativa é ficar batendo na tecla de que foi vítima de uma grande injustiça – isso pode ter acontecido, mas não deve se transformar num obstáculo para seguir em frente. Se a firma estava em apuros e você tem diversos companheiros e companheiras de infortúnio, o ditado ensina que não adianta chorar sobre o leite derramado.

Esteja preparado para falar numa entrevista sobre o motivo de ter saído de seu último emprego. Não há necessidade de se sentir humilhado ao dizer que foi desligado. Opte por uma resposta neutra: por exemplo, que seu perfil talvez não fosse o adequado à antiga empresa, mas que esta nova organização tem todas as qualidades que alimentam sua motivação. Por último, mas não menos importante: algumas lições podem ser aproveitadas para que você não enfrente perrengue semelhante. Em primeiro lugar, se esforce para fazer uma reserva que, segundo os especialistas, deve cobrir no mínimo três meses das suas despesas. Mesmo estando em sintonia com o ambiente profissional, tenha cópia de todas as informações relevantes que lhe pertencem, como contatos ou projetos que desenvolveu. E não espere ser demitido para procurar outra colocação. Comece a se movimentar assim que notar que o relacionamento com a chefia se deteriorou, ou que a companhia dá sinais de estar em dificuldade.

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