Vivemos tempos complicados, de poucos empregos e muito trabalho. Uma situação que vem se tornando cada vez mais comum é a promoção que, apesar de representar mais responsabilidade, não vem acompanhada de um aumento salarial. O que fazer nesse caso? Será que o panorama que se descortina é somente de exploração?

A questão tem uma série de variáveis que merecem ser levadas em conta. Pense racionalmente: mesmo que você ache que esse convite sem reajuste não é justo – na verdade, tem todo o jeito de mais uma esperteza da empresa – ele pode servir para alavancar sua carreira e significar uma oferta de trabalho em outro lugar.

No entanto, antes de dizer sim e correr para o abraço, negocie. Explicite que a lembrança do seu nome para o novo cargo foi um afago muito bem-vindo para o ego, mas não deixe de tocar no assunto dinheiro. Lembre que seu leque de responsabilidades vai se ampliar, mais gente estará sob seu comando, as demandas crescerão. Qual o horizonte para ter um aumento: seis meses, por exemplo? Depois de um determinado projeto ser finalizado? Um curso também pode servir de moeda de troca.

Há também a promoção sem aumento fora da empresa. Às vezes, ela pode até significar uma diminuição de salário. Como assim? Imagine trocar seu posto de coordenador por um de gerente, ou mesmo de superintendente – só que a firma que lhe faz a proposta é uma empresa jovem, com boas perspectivas mas poucos recursos, e no fim das contas você vai ganhar menos…

De novo, avalie o tabuleiro de xadrez: esse novo “título” vai dar mais lastro a seu currículo? Num artigo para a publicação “Quartz”, Ariel Schur, CEO da ABS Staffing Solutions, escreveu que os millenials são tão obcecados por um cargo de nome bacana que não se incomodam em ganhar menos para ocupá-lo. Se à primeira vista isso soa como infantilidade, na prática pode se tratar de uma estratégia bastante eficiente: se vivemos tempos tão instáveis, de mudanças constantes, ter um “carimbo” que fuja da mesmice pode ser algo valioso.

As novas gerações sabem que vivem num ambiente onde é preciso construir sua própria marca, que vai ser a soma de diversas experiências: trabalho voluntário, viver fora do país, atividades artísticas e vivências em startups. Uma pesquisa realizada ano passado pela Robert Half, uma das maiores empresas de recrutamento do mundo, indicava que 39% dos empregadores davam promoções que não eram acompanhadas de aumento. Além disso, 72% das pessoas abaixo dos 34 anos concordavam em assumir um novo posto sem qualquer mudança salarial.

 

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