Cenário 1: um grande amigo ou amiga, daqueles que há anos têm lugar cativo em sua história, começa a ascender profissionalmente. Talvez vocês até trabalhem no mesmo setor, na mesma empresa! Enquanto as oportunidades vão surgindo como num passe de mágica para ele/ela, sua carreira está empacada. De repente, pensamentos sombrios rondam sua mente: por que não eu? O sucesso alheio lhe causa constrangimento e vontade de se afastar, pondo a amizade em risco.

Cenário 2: sua vida profissional vai de vento em popa. Você trabalha duro, agarra todas as chances de mostrar seu valor e colhe os frutos dessa dedicação. No entanto, vê que amigos queridos, de longa data, parecem se ressentir desse êxito. Quando se reúnem, há piadinhas sobre seu status de “rico”, embora isso não seja verdade. Ou insinuações de que talvez tenha mudado e não seja mais o mesmo ou a mesma.

Nos dois casos, o diagnóstico é claro: inveja. Aliás, a expressão “inveja boa” é bastante utilizada quando alguém quer mostrar apreço por uma vitória, mas pontuando com franqueza que gostaria de estar naquela posição. Em ambos os lados, há uma sensação de estranheza, que pode ser trabalhada em vez de fazer crescer o rancor. Para início de conversa, vamos tentar esclarecer um ponto: o ressentimento que brota é menos em relação à outra pessoa e mais sobre a consciência da “humilhação” de não estarmos ocupando aquele lugar.

Portanto, começando pela situação espinhosa da sua inveja: o caminho é ter um papo reto com consigo mesmo/a sobre por que o sucesso do outro provoca reações negativas. Talvez lá no fundo você não se orgulhe do que fez até agora, ou não tenha posto energia suficiente para alcançar seus objetivos. Vá fundo, puxe esse sentimento pelas raízes e o extirpe. Pense bem: se uma vida sem luxos lhe agrada e está de bom tamanho, simplesmente aproveite o despojamento e seja feliz, fugindo do ditado que diz que a grama do vizinho é sempre mais verde!

Se estiver na situação inversa, seja humilde: evite falar da sua conta bancária, relacionar coisas que comprou ou viagens que fez. Afinal, a amizade veio antes do novo status e não há motivo para se comportar como uma pessoa diferente. Ninguém é melhor só porque tem mais dinheiro. Se o impulso de pagar a conta for interpretado como uma forma de se exibir, contenha-se e opte por programas que caibam em todos os orçamentos. A única coisa que merece sua atenção é se o comportamento de bullying persistir e os “amigos” passarem a exigir que você pague todas as contas. Nesse caso, é melhor avaliar se os sentimentos que os uniam ainda permanecem.

 

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