Todo mundo conhece alguém – e com certeza está cansado disso – que vive se gabando. Há vários tipos de contadores de vantagem: para começar, aquele que se apresenta como sendo a quintessência no campo pessoal e profissional. Há também os que se fazem passar por humildes, mas deixando escapar a informação que os faz especiais: por exemplo, como aquela viagem para o exterior a trabalho veio num momento em que o pobrezinho está tão sobrecarregado, mesmo que as redes sociais depois fiquem entupidas das fotos feitas lá fora. Reclamar de coisas bacanas, como se elas fossem menos importantes do que a pessoa merece, faz parte desse perfil no qual o narcisismo está sempre em alta.

Pesquisadores da Universidade de Humboldt, em Berlim, divulgaram recentemente um estudo sobre esses indivíduos. Seu objetivo era detectar seu comportamento em testes psicológicos. Quando os participantes tentam se apresentar como melhores que os outros, costumam investir em respostas que os tornem atraentes do ponto de vista social. Normalmente, são os que mais respondem “sim” a afirmações como: “eu me sento à mesa em casa da mesma forma que num restaurante”; ou “nunca me incomodo de retribuir um favor”. Excesso de autoconfiança também pode ser mapeado em testes de memória: é comum a discrepância entre o resultado e a avaliação que a pessoa faz de seu desempenho.

A ânsia de parecer melhor, ou de saber mais que os outros, não precisa, necessariamente, envenenar as relações no trabalho. Excetuando os casos graves – gente que mente descaradamente – é possível conviver com um contador de vantagem que realiza sua função com profissionalismo. A primeira providência é se armar de bom humor. Não vale a pena tentar discutir, apontar os excessos no discurso daquele colaborador. Se você já sabe que, na distribuição de tarefas, ele ou ela começará a falar sobre como domina o assunto, acelere o processo para encurtar o tempo dedicado a comentários e considerações.

Quem conta vantagem tem que estar ocupado e pode se sair bem num papel de mentoria, já que ensinar a alguém com menos experiência reforçará a ideia que tem si mesmo. Para estabelecer um limite na escalada de autoelogios, apele para a “generosidade” e a “humildade” do seu interlocutor, lembrando que seu papel é o de que guiar os demais em busca do conhecimento, sem chamar atenção para as próprias qualidades.

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