Os Estados Unidos representam a quintessência do capitalismo, ou seja, o país onde se trabalha duro para ficar rico. Portanto, era de se esperar que os funcionários mais felizes seriam aqueles com um gordo contracheque, certo? Não necessariamente. Foi o que uma reportagem especial da Bloomberg, publicada em julho, mostrou ao apontar que os bombeiros são os trabalhadores mais felizes dos EUA.

Numa parceria com os sites de empregos MyPlan.com e Glassdoor.com, a Bloomberg montou um ranking de ocupações e a satisfação que traziam aos profissionais. Numa escala de zero a dez, na qual dez era o nirvana dos empregos, os bombeiros ficaram com nove, seguidos pelos operadores de máquinas e pediatras, ambos com pontuação oito. Aliás, nesse quadro, é importante notar que somente os pediatras podem aspirar a uma remuneração mais parruda – e, mesmo assim, não se trata da especialidade médica que fatura mais.

Enquanto vivemos numa espécie de corrida maluca onde vale tudo para ganhar mais, a realidade indica algo diferente: no fim, nem tudo se resume a dinheiro. O senso de propósito e a certeza da importância do que fazem colocam os bombeiros num patamar de realização invejável. Em compensação, na ponta oposta, onde ficam aqueles que entendem o expediente como um suplício que se renova a cada dia, estão funcionários dos Correios, do município e de empresas de seguros; faxineiros e empregados domésticos; e, como não poderia deixar de ser, o pessoal do telemarketing.

Como nem todos estamos talhados para correr riscos e salvar vidas, não adianta aconselhar ninguém a tentar a uma vaga no Corpo de Bombeiros. Há também muitas atividades onde há pouco espaço para a criatividade, mas, mesmo assim, é possível buscar realização no ambiente profissional. Caberá aos gestores uma boa parcela de responsabilidade nessa empreitada, que será compensada com gente mais engajada e trabalhando melhor. A primeira coisa é ajudar os funcionários a encontrar um senso de propósito no que fazem: mesmo atividades muito simples, que não demandam grandes habilidades, podem ser úteis e levar benefícios para as outras pessoas. A segunda providência é criar oportunidades para os colaboradores aprenderem e crescerem profissionalmente. Por fim, manter um ambiente que alimente laços entre os indivíduos, porque o senso de comunidade e de pertencimento é uma poderosa ferramenta para o bem-estar.

 

CONTINUAR LENDO
1 0