Numa de suas últimas edições, a revista britânica “The economist” publicou um artigo sobre a dificuldade que as empresas têm para preencher suas vagas com as pessoas certas. E fez ironia com a máxima alardeada por todas sobre gente ser o principal patrimônio da organização. De acordo com a revista, embora um volume considerável de tempo e recursos seja gasto na contratação, faltam mecanismos posteriores de checagem para avaliar se o processo teve sucesso ou não. Nos Estados Unidos, apenas um terço das companhias se vale de algum tipo de auditoria interna para dizer se o recrutamento trouxe bons empregados para a firma. O resultado é o entra-e-sai que derruba a produtividade.

No entanto, a avaliação não é tão difícil assim. Bastariam duas perguntinhas para ligar o sinal de alerta. A primeira: quanto tempo os novos contratados ficaram na empresa? A segunda: seus chefes estão satisfeitos ou decepcionados com as aquisições? A publicação formula uma hipótese para a receita de recrutamento ter desandado: até a década de 1980, cerca de 90% dos cargos eram preenchidos por funcionários que já estavam na companhia, ou seja, que tinham intimidade com a cultura do lugar. Entretanto, atualmente essa proporção caiu para menos de um terço, mesmo que as pesquisas sugiram que quem vem de fora leve cerca de três anos para ter desempenho equivalente aos colegas que já estavam ali. Pior: os de fora entram ganhando mais.

Levantamento da empresa de recrutamento e seleção Robert Half, divulgada há uma semana pelo portal G1, registra que contratar profissionais qualificados hoje é mais desafiador do que há cinco anos. Essa era a percepção de 88% dos executivos entrevistados no Brasil, um número maior do que a média global, que é de 72%. Essa dificuldade é um argumento extra de que talvez fosse mais eficiente investir na prata da casa e capacitar a mão de obra necessária. Somente após esgotar essa opção viria o momento de buscar uma solução externa.

Durante o período em que fui executiva, costumava consultar a equipe sobre o perfil adequado para as vagas que surgiam. As pessoas que estão na linha de frente da operação sabem, talvez melhor do que ninguém, que tipo de profissional vai somar e não sobrecarregar o resto do time. Também era bem mais em conta.

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