Em 1999, dois psicólogos, David Dunning e Justin Kruger, publicaram um estudo que mostrava como, em diferentes áreas, indivíduos incompetentes não reconheciam suas limitações. O tempo deu ainda mais lastro ao chamado “efeito Dunning-Kruger”, que acabou batizado com os nomes dos pesquisadores. Ao contrário do que a lógica mandaria, a falta de domínio sobre um determinado assunto ou campo de saber não deixava as pessoas desorientadas, perplexas ou cautelosas. Os mais incapazes eram aqueles “abençoados” por uma confiança totalmente inapropriada baseada num “sentimento” ou “sensação” que, para eles, soava como sabedoria.

Pasmem, mas essa superioridade ilusória, que leva muita gente a superestimar suas habilidades e foi descrita no “efeito Dunning-Kruger”, não se restringe à política! O mais grave: uma mente ignorante nunca está vazia, e sim repleta de teorias, intuições e pressentimentos que se tornam certezas inquestionáveis. Para reconhecer a própria inépcia, a pessoa precisaria de uma bagagem da qual não dispõe – por isso não consegue ter a dimensão da sua ignorância e acaba não buscando a ajuda necessária que evitaria erros e decisões ruins.

Do lado oposto, os especialistas tendem a subvalorizar suas aptidões. Há dois anos, escrevi uma coluna sobre a síndrome do impostor, que é justamente o contrário: trata-se daquela sensação de que não se é bom o bastante, de que um dia alguém vai descobrir que somos na verdade uma fraude. Indivíduos que se sentem assim são os que estabelecem as metas mais altas para si mesmos e testam seus limites o tempo todo.

Em novembro de 2017, Dunning colaborou na realização de um vídeo que tem mais de 4.5 milhões de visualização e se chama “Why incompetent people think they´re amazing” (“Por que pessoas incompetentes acham que são incríveis”). Engenheiros de duas companhias avaliaram seu próprio trabalho: na primeira 32% disseram fazer parte dos 5% melhores da empresa; na segunda, esse percentual foi de 42%! De acordo com outro estudo, 88% dos motoristas norte-americanos afirmaram dirigir melhor que a média.

Em diversas ocasiões, Dunning afirmou que costumamos desconhecer os limites de nossa incompetência, mas não a dos outros. Portanto, todos devemos nos perguntar: será que somos tão bons quanto imaginamos? Não está na hora de buscar novos conhecimentos? Afinal, há uma chance de que estejamos cometendo erros em alguma área de nossa vida sem ao menos ter noção disso.

 

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