Houve época em que toda empresa que se prezasse realizava pesquisas de clima periódicas para “auscultar” a temperatura do ambiente de trabalho e saber se os funcionários estavam satisfeitos e engajados. Afinal, quanto maior o comprometimento dos colaboradores, maior tende a ser a produtividade e o resultado da organização. Essa máxima continua valendo, mas, pelo menos por aqui, elas caíram num certo ostracismo. Foram abatidas por cortes no orçamento e o enxugamento das equipes, o que é um erro.

Ano passado, o Instituto Gallup fez um levantamento mundial que mostrou uma espécie de falência coletiva das organizações em garantir o engajamento de seus funcionários: apenas 15% se declaravam altamente motivados em seus empregos. De acordo com os consultores Marcus Buckingham e Ashley Goodall, os fatores que mais pesam nesse distanciamento são: não entender o que a empresa espera do seu trabalho; um ambiente onde não há apoio e colaboração entre os colegas; e a falta de reconhecimento.

De acordo com reportagem publicada pela revista britânica “The Economist”, as pesquisas continuam sendo um indicador bastante preciso sobre o comportamento da equipe. Nos Estados Unidos, três quartos das maiores firmas realizam algum tipo de checagem com regularidade. A publicação cita vários exemplos de como elas podem dar novo rumo a acontecimentos com alto potencial de danos: na Alliance Data, um grupo do segmento de marketing, a avaliação negativa de uma nova leva de gerentes resultou em treinamento intensivo desses chefes.

Quando bem realizadas, conseguem antecipar comportamentos, já que uma insatisfação generalizada sinaliza um cenário de erros, conflitos e fuga de talentos. Pesquisas também podem mudar comportamentos equivocados através de treinamento e coaching. Principalmente, trata-se de uma chance de os empregados serem ouvidos. Quando não há qualquer tipo de consulta, o recado parece claro: a empresa não se importa com seus colaboradores. Mas pode ser pior: quando a pesquisa é conduzida e nada é feito para corrigir os problemas apontados. Depois de serem consultadas, as pessoas esperam que as devidas providências sejam tomadas.

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