Um novo estudo publicado pelo “Journal of Applied Social Psychology” investiga a associação entre sexismo no ambiente de trabalho e saúde mental, sentimento de pertencimento e satisfação profissional das mulheres. A pesquisa foi realizada na Austrália, país onde o machismo ainda é muito presente – aliás, com exceção da Escandinávia, poucas regiões podem se orgulhar de terem resolvido o problema. As participantes ouvidas encaravam as manifestações sexistas como bullying ou formas de provocar o ostracismo e levar à rejeição da mão-de-obra feminina.

Os pesquisadores coletaram depoimentos como esse: “trabalho com vendas e o grupo é quase exclusivamente composto de homens. Comentários de teor sexual, sobre mim e outras companheiras, são cotidianos. Quando não eram feitos diretamente para mim, eram ditos num tom de voz que eu pudesse ouvir”. Havia casos de mulheres serem tocadas de forma inapropriada; piadas grosseiras; observações sobre a aparência ou o corpo das funcionárias e até exposição à pornografia. O #MeToo das estrelas de Hollywood ainda não conseguiu o espaço que merece em outros segmentos.

O senso de não pertencimento a um ambiente como esse afeta imediatamente o ânimo das trabalhadoras, que não conseguem associar qualquer tipo de satisfação às tarefas que executam. O impacto na saúde mental é resultado previsível. Estudos realizados em outros locais nos quais também havia predominância masculina tiveram resultados semelhantes, inclusive em universidades.

Para se proteger do machismo e do sexismo, muitas mulheres optam por não exibir qualquer sinal de feminilidade, o que também pode afetar sua autoestima. Além disso, a tendência é de que acabem trabalhando muito mais que seus pares, para buscar reconhecimento. Em ambos os casos, com efeitos negativos para sua vida pessoal. É incrível como ainda há empresas que não acordaram para a gravidade desse quadro, que vai desde o desperdício do talento dessa mão-de-obra até o flagrante desrespeito às normas de convivência.

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