Tenho R$ 100 por mês para iniciar um investimento a médio prazo, começo pelo Tesouro ou posso ir direto para ações que é meu objetivo final? Obrigada!

Oi, Priscila!

Que bom saber do seu interesse em investir! Quando a gente pensa a longo prazo, é uma boa estratégia arriscar um pouco mais, investir em renda variável, para aumentar os ganhos. Mas vale fazer uma ressalva.  É preciso manter uma reserva de emergência em um investimento seguro e que você possa resgatar rapidamente caso precise. Um exemplo é o Tesouro Selic ou algum CDB com liquidez diária (lembrando sempre que no caso do CDB tem que observar o limite de 250 mil reais garantido pelo FGC – Fundo Garantidor de Crédito). Os especialistas recomendam que você deixe nessa reserva uma quantia suficiente para bancar os seus custos por um período de pelo menos 6 meses.

Dito isso, vamos à sua dúvida! Letras & Lucros conversou com um planejador financeiro certificado pela Planejar. Ricardo Gomes da Silva diz que é preciso observar alguns pontos antes de investir em ações. O primeiro deles tem a ver com o que chamamos de ciclo de vida do investimento. Você não disse qual o prazo exato que deseja manter esse investimento, muito menos se há alguma flexibilidade em relação a este prazo. Por exemplo, imagine que você quer investir em ações para comprar um carro daqui a cinco anos e, quando chegar esse dia, as ações que comprou estejam em queda e sem perspectivas de recuperação. Tudo bem adiar a realização do seu objetivo até que o investimento dê o retorno necessário?”, pondera.

Diante disso, o planejador financeiro orienta que você vá adaptando o percentual reservado para as ações. “No conceito de ciclo de vida do investimento definimos qual será a parcela de maior risco no início (por exemplo, 100% em ações) e final do investimento (por exemplo, 10% em ações) e vamos ajustando estes níveis durante o prazo. Isso pode ser feito mensalmente, apenas comprando mais da parcela que está abaixo do nível planejado, e em períodos maiores, de semestral ou anualmente, vendendo o que está acima para comprar o que está abaixo. Esta técnica simples é muito eficiente para, intuitivamente, se vender na alta e comprar na baixa além de reduzir o risco de volatilidade e liquidez no prazo final do investimento”, diz Ricardo.

O segundo ponto a ser considerado é a diversificação. Ao investir valores pequenos comprando ações diretamente, você provavelmente só poderá comprar poucas ações e de uma única empresa por mês. E aí a sua carteira não vai ficar diversificada, concorda? “A forma mais inteligente de diversificar com valores baixos de investimento é através da compra de cotas de fundos de ações. Pois daí o gestor destes fundos, com o seu investimento e de outros muitos cotistas, poderá comprar muitas ações de várias empresas, dependo da política de investimento de cada fundo. Busque fundos de baixo custo e com políticas de investimento alinhadas com seus objetivos”, explica.

Outra opção para diversificar é comprar ETFs. Eles são negociados na Bolsa e representam um fundo de investimento, que pode ser em renda fixa ou variável, como ações. Não conhece os ETFs? Veja este Recado da Mara

Outro ponto que você tem que levar em consideração é que ao comprar ações, você terá que pagar uma taxa de corretagem. Esse custo vai fazer com que o seu possível lucro diminua. Então pode ser interessante, sim, juntar um valor um pouco maior, aplicando no Tesouro Direto, por exemplo, e depois resgatar pra comprar as ações ou os ETFs. “É fundamental também que você conheça muito bem o ativo que está comprando, seja ações de uma empresa ou cotas de um fundo. Entenda bem o funcionamento do mercado e todos os custos e riscos envolvidos. E seja disciplinado nos investimentos”, diz o planejador financeiro.  

Como investir em ações? – Gestores de Fortunas

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