Recebi R$ 42.000 de rescisão de uma empresa na qual trabalhava. Tenho um financiamento de veículo em 60 parcelas de R$ 1.200 por mês. Com minha renda mensal, consigo pagar o carro, mas a dúvida é: devo quitar o financiamento? Devo aplicar esse dinheiro? Se sim, onde? Devo construir uma pequena casa num terreno bem localizado em região de praia aqui em Alagoas, onde moro?

Olá!

Que bom saber que você recebeu um dinheiro e tá preocupado em fazer o melhor para o seu bolso e, consequentemente, para o seu futuro! A gente fica muito feliz em poder ajudar nisso.

Olha, se tem um conselho que reúne os especialistas, esse conselho é o seguinte: tenha uma reserva de emergência. Um dinheiro que você vai colocar em algum investimento com liquidez diária, que se você precisar resgatar de um dia pro outro, vai conseguir. Pode ser Tesouro Selic, por exemplo. E pra que isso? Como o nome diz: para emergências. Se perder o emprego ou tiver algum gasto inesperado, não passa aperto com as contas. Quanto devo colocar nesse pacote? O suficiente para se manter por pelo menos 6 meses – o ideal é um ano – bancando todas as suas despesas.

Portanto, se você ainda não tem uma reserva de emergência, deve separar esse dinheiro pra isso. Agora, se você já tem aí sim deve considerar quitar o financiamento porque, de um modo geral, as instituições cobram juros maiores nos empréstimos e financiamentos do que pagam a quem investe.  “Para ter certeza disso, solicite à instituição financeira onde você tem seu veículo financiado qual é o custo efetivo total (CET) do seu financiamento e compare este valor ao que você receberia de juros em um investimento. Esses valores serão expressos sempre em um percentual anual (por exemplo, 15% ao ano). Se o valor do juro cobrado no financiamento for maior do que o juros que você receberia com o dinheiro investido, a quitação ou amortização será a melhor opção”, orienta o planejador financeiro Alexandre Amorim, certificado pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

Essa dica valiosa do especialista vale para situações parecidas que venham a ocorrer no futuro. Sempre compare a taxa do financiamento com o taxa que você receberia de juros nos seus investimentos ou, se não souber qual o rendimento, compare com a taxa Selic. Geralmente, vai compensar quitar essa dívida. Mas o planejador financeiro faz uma ressalva: “Tenha cuidado apenas para verificar que você está amortizando o saldo devedor e não antecipando parcelas. Em outras palavras, o valor que você pagará é o saldo do empréstimo que ainda não foi pago, e não a quantidade de parcelas a vencer multiplicado pelo valor da parcela. Ou seja, ao quitar o financiamento, você deve pagar o que deve, mas não os juros das parcelas a vencer”.

Já em relação a construir um imóvel é uma decisão muito pessoal e que leva em conta uma série de variáveis. “Precisaria avaliar, por exemplo, se esse imóvel seria destinado à geração de renda (aluguel), à venda (ganho de capital) ou para utilização da família (bem de uso pessoal) e se isso estaria em linha com seus objetivos e o seu momento de vida. Caso esse imóvel seja destinado ao uso (bem de uso pessoal), lembre-se que mais um imóvel acarretaria mais despesas e isso aumentaria o seu custo de vida. Caso a construção tenha como objetivo o investimento, seria necessário comparar o provável ganho com esse imóvel com algum outro investimento, utilizando a mesma lógica de comparação do financiamento. Leve em conta ainda todos os riscos envolvidos com a construção de um imóvel”, orienta Alexandre Amorim. “Em resumo, pense em montar a sua reserva de segurança e em quitar o financiamento. Se ainda sobrar dinheiro para investir, você deve analisar com muito cuidado todas as variáveis e possibilidades”.

 

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