Fiz um PGBL há 5 anos, no Banco do Brasil, com depósitos iniciais mensais de R$ 400,00. Achei interessante, pois poderia descontar do IR, já que tenho desconto na fonte. Acontece que recentemente, recebi um comunicado do banco dizendo:" A partir de dezembro de 2017, o fundo BrasilPrev Multimercado Dinâmico, antes denominado BrasilPrev Composto 20, terá o limite mínimo de alocação em renda variável alterado de 15% para 0%, conforme previsto em regulamento. O limite máximo não sofrerá alterações permanecendo em 20%." Atualmente, a contribuição mensal está em R$549,55, é um PGBL Estilo, tributação progressiva, com saldo total nominal R$50.307,59. Tenho 55 anos e escolhi essa aplicação, na época, porque na simulação, me daria R$ 1.500,00/mês depois dos 70 anos. Estou insegura e acho que posso investir melhor meu dinheiro. Solicito orientação. Grata. Rosane

Oi, Rosane!

Excelente pergunta! É muito bom ver que você está preocupada com a sua aposentadoria, com o seu futuro. E desde já fazendo as contas. Parabéns!  “Muitas pessoas contratam previdências, sem saber quanto elas gerarão de renda e por quanto tempo, sem  avaliar, portanto, se os aportes atuais serão suficientes para compor a renda desejada no futuro”, pondera a planejadora financeira, Karoline Cinti, certificada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Que bom que você já está de olho em tudo isso.

Rosane, quando a gente fala de investimentos, é muito importante saber qual é o perfil do investidor, pra entender qual o grau de tolerância dele a eventuais perdas. “Isso ajuda a definir expectativas de retorno sobre os investimentos e o quanto pode ser destinado para produtos mais arriscados. Aí sim, você conseguirá saber se a alteração no limite mínimo de alocação de 15% para zero do produto em renda variável é um problema para você ou não”, explica Karoline. Ela lembra ainda que independentemente do seu perfil de risco, investimentos que oscilam mais, geralmente são recomendados para objetivos de longo prazo. “Por isso, precisamos ter nossa estratégia de investimentos definida desde o início, para não ficarmos vulneráveis aos vários movimentos do mercado”.

E sabe aquela história que a gente fala sempre de pesquisar?! Vale para Previdência também.  “É essencial você analisar sua previdência com outras da mesma classe no mercado, para verificar se é uma condição geral ou específica do fundo. Compare as rentabilidades históricas, oscilações, nível de risco, tamanho do patrimônio do fundo, custos operacionais e o gestor.”, orienta a planejadora.  E fique muito atenta também às taxas de administração, performance e carregamento porque isso influencia diretamente no resultado. Uma taxa de administração, por exemplo, muito alta, pode comprometer a rentabilidade do plano. Lembre-se de que é possível fazer a portabilidade entre os planos de previdência.

Você comentou que fez uma simulação que mostrou que depois dos 70 anos, teria R$ 1.500 por mês. Karoline Cinti ressalva que você precisa se certificar que os cálculos estejam sendo feitos com uma taxa de juros de ganho real, isto é, descontados o imposto de renda e a inflação do período, a fim de garantir que a receita futura tenha o mesmo poder de compra do presente.

 

PGBL ou VGBL?

Quem faz uma previdência privada quer juntar dinheiro no longo prazo para ter, lá na frente, uma renda mensal, que poderá ser vitalícia ou por período determinado ou ainda em um único pagamento. “Por conta dessas particularidades da previdência, ela possui alguns benefícios que lhe são próprios”, explica Karoline. “O mais conhecido é o benefício fiscal, mencionado na sua pergunta. A previdência privada pode ser contratada através de dois planos: PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). Para quem utiliza o modelo completo de declaração do Imposto de Renda e é contribuinte do INSS, é possível deduzir os depósitos do PGBL até o limite máximo de 12% de sua renda bruta anual. Já o VGBL é mais adequado para quem vai declarar o imposto no modelo simplificado, ou mesmo para os que pretendem contribuir com mais de 12% da receita”.

Outra diferença importante é que no PGBL, o imposto é calculado em cima do valor total a ser resgatado ou recebido sob a forma de renda. Já no VGBL, somente o que rendeu é tributado, não o valor total, como no PGBL.

 

Tabela progressiva ou regressiva?

O regime progressivo ou regressivo é válido para os dois modelos. “No regime regressivo, a tributação é definitiva e recolhida diretamente na fonte. A alíquota começa em 35% e diminui até o limite de 10% para as contribuições acumuladas no prazo acima de 10 anos. Já na tributação progressiva, os valores resgatados ou rendas recebidas são considerados na declaração de ajuste anual do IR. Isso significa que a progressiva vale para quem irá receber renda na faixa de isenção ou próxima a essa (considerando todas as receitas, como aposentadorias e aluguéis recebidos na pessoa física), ou irá resgatar no curto prazo”, orienta. Você está com 55 anos, então possivelmente quer contribuir com a previdência privada por mais de dez anos. Se for isso mesmo, a tabela regressiva pode ser mais interessante.

Espero que a gente tenha ajudado você a garantir o seu futuro! Qualquer dúvida estamos 

Grande abraço,

Equipe Letras & Lucros

 

CONTINUAR LENDO