Fazer o planejamento certo para viver de renda ou de aposentadoria é uma das principais preocupações dos brasileiros, seja por meio de um plano de previdência ou de uma carteira de investimentos de longo prazo.

Para termos uma ideia, das 150 mil consultas por ano feitas à base da corretora Magnetis, 44% têm objetivo de viver de renda, aposentando-se ou não. E os especialistas neste setor têm alguns conselhos preciosos para quem está pensando no futuro. “Nas conversas com os clientes, o que o nosso time de consultoria de investimentos mais percebe é a preocupação com a manutenção do padrão de vida atual quando chegar a aposentadoria”, afirma Luciano Tavares, CEO da empresa.

O primeiro conselho é que, não necessariamente, você precisa ter um plano de previdência tradicional para garantir uma renda mensal confortável daqui alguns anos. Na visão de Tito Gusmão, CEO da Warren, a previdência é uma questão cultural aqui no país “só que as pessoas estão ficando cada vez mais conscientes de que a previdência não necessariamente é um produto tão bom no banco”. No fim de janeiro, um levantamento indicou que a portabilidade de planos de previdência dos bancos aumentou 25% em 2018. Aliás, não deixe de ver o Especial Aposentadoria aqui no Letras & Lucros com dicas da Mara Luquet.

O principal atrativo, segundo Gusmão, é que o investidor encontra um leque maior de produtos em uma corretora, incluindo mercado de ações, outros títulos de renda fixa etc.. Ele observa, entretanto, que a previdência também pode complementar os outros produtos. De olho nessa demanda, a Warren tem feito testes, desde dezembro, com produtos de previdência de seguradoras e pretende oferecer esses produtos para mais clientes a partir de março.

“Se o objetivo é acumular capital para se aposentar ou qualquer objetivo de longo prazo, com mais de 10 anos, a previdência privada passa a ser interessante”, nota Luciano Tavares. “Se for de curto prazo, a previdência deixa de ser vantajosa, porque a tabela regressiva começa [com uma alíquota de imposto] de 35% e, após dez anos, acaba em 10%”, ele ressalta.

Dedução do IR
A dedução do imposto de renda é um importante atrativo para os planos de previdência tradicionais, mas é importante saber escolher o tipo de plano e calcular até quanto investir para fazer o benefício valer a pena.

O PGBL (Plano Garantidor de Benefício Livre) é indicado somente para quem faz a declaração completa do IRPF e seu benefício se aplica à renda declarada de até 12% ao ano. “Se você teve uma renda de R$ 100 mil e investiu R$ 12 mil no PGBL, sua base de tributação vai ser de R$ 88 mil e você vai pagar menos imposto no fim do ano. É um benefício fiscal muito poderoso”, observa Luciano. Mas além dos 12% ao ano, ele alerta que não vale a pena investir.

Já a modalidade VGBL (Vida Garantidor de Benefício Livre) é mais indicada para quem faz a declaração simples do Imposto de Renda pois não tem a dedução de 12% do IR. Um diferencial é que a tributação ocorre somente na retirada do investimento e o imposto incide somente sobre o ganho de capital e não sobre o total acumulado. O Luciano observa também que o VGBL se assemelha mais a um fundo de investimentos tradicional só que sem pagar uma tributação semestral, conhecida como “come-cotas”.

Para quem está pensando em migrar o plano de previdência, outro ponto levantado pelos especialistas, é que o mecanismo da portabilidade funciona de forma muito semelhante ao das operadoras de telefonia celular. Basta ir no lugar novo para fazer a portabilidade e ele automaticamente pode transferir o investimento, sem pagamento de imposto e sem que a pessoa perde o cronograma tributário.

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