Já ouviu falar de peer-to-peer lending? Algumas fintechs brasileiras de crédito já vem trabalhando com esta modalidade inspirada no crowdfunding – financiamento coletivo – que une, de um lado, pequenas e médias empresas que buscam crédito a taxas mais interessantes e, de outro, investidores pessoa física ou jurídica que buscam alternativas de investimento com maior retorno.

Como funciona o P2P Lending?
O papel das fintechs desse segmento é fazer a mediação do processo que envolve uma análise de crédito aprofundada para selecionar as empresas com melhor perfil pagador e oferecer estas propostas aos investidores.

Marcio Berger, CEO da Peak Invest, que concedeu o primeiro empréstimo nesta modalidade em setembro do ano passado, após a análise de crédito, as empresas selecionadas são classificadas em um ranking de risco – de A1 a D3 – e então apresentadas em seu site para que o investidor analise cada uma e decida se vai conceder, ou não o empréstimo, para elas.

Após selecionar as empresas da plataforma nas quais deseja investir, o cliente faz um depósito do valor desejado em uma conta do banco parceiro da Peak Invest e recebe um título de investimento CDBV (Certificado de Depósito Bancário Vinculado). “A partir do que tem na conta, o banco emite a Cédula de Crédito Bancário para o empreendedor, que é o título da dívida. Conforme o empreendedor paga as parcelas do empréstimo, o investidor recebe seu retorno”, detalha Berger.

Quais os riscos?
O P2P Lending é um investimento de risco. Mesmo com toda a análise, se a empresa não pagar o empréstimo, o investidor pode perder o que investiu. “Se a inadimplência se configurar e o empreendedor não pagou e não tem bens, o investidor perde o dinheiro”, lembra Berger.

“No P2P o que de fato o investidor está comprando é o risco de uma empresa”, explica o cofundador da Kavod Lending Renato Douek. A fintech criada por dois executivos com experiência em bancos, foi a primeira a trabalhar com um sistema de garantia para o investidor. Conforme explica Douek, quando o empreendedor toma o empréstimo é feita uma aplicação com pelo menos 30% do valor total do crédito em forma de garantia junto a um banco parceiro que a empresa prefere não revelar. Os empréstimos são liberados pela financeira BMP Money. “Conforme ele honra as parcelas, vamos liberando os 30% que estão reservados. Desta forma eu tenho uma aplicação com 30% do valor em aberto como garantia real para poder resgatar e pagar os investidores em dia, em caso de atrasos no pagamento”.

Quais as vantagens?
A principal vantagem segundo as fintechs é a rentabilidade que esse tipo de investimento pode trazer. Na Peak Invest, dependendo da carteira de empresas que o investidor selecionar, a taxa pode variar de 1,26% a 3,17% ao mês. Na Kavod, a estimativa de rentabilidade mensal vai de 1,20% a 2,70%, em média, de acordo com a empresa que vai fazer a captação.

O cofundador da Kavod observa que a busca pelo P2P Lending é uma resposta ao cenário econômico. “Não compensa mais deixar o dinheiro na poupança e o brasileiro precisa buscar formas alternativas de investimentos caso precise de retorno”. Ele destaca que o modelo também atrai investidores pela função social, de fomento ao empreendedorismo. “Há um risco sim, mas há uma questão de investir o dinheiro de forma mais consciente. Então o investidor está ajudando uma empresa a se desenvolver e a gerar empregos”.

Para o empreendedor a vantagem é trabalhar com taxas menores de juros. “O Brasil está precisando de iniciativas que contribuam para a redução dos juros e a gente está acertando na mosca”, avalia Berger. A Peak trabalha com taxas de juros que variam de 1,57% a 4,30% ao mês. No caso da Kavod, as taxas partem de 1,5% ao mês.

Qual o perfil das empresas que buscam crédito?
Geralmente o P2P Lending é mais buscado por pequenas e médias empresas de diversos setores. A Peak Invest costuma selecionar pequenas e médias empresas com faturamento anual acima de R$ 600 mil e os setores mais trabalhados são energia sustentável, engenharia e construção, tecnologia e varejo.  Já a Kavod optou por se especializar em franchising – 80% de sua carteira inclui franquias como China in Box e KFC e da rede educacional Maple Bear, por exemplo. “O investidor está ajudando a empresa a se desenvolver. Por isso a gente busca marcas com as quais o público se identifique mais”, afirma Douek, da Kavod.

Para buscar os melhores perfis pagadores, uma pequena parcela dos empreendedores interessados tem aprovação pela análise das fintechs. A Kavod, por exemplo, realizou R$ 7,5 milhões em empréstimos desde sua criação, em agosto de 2017, mas recebeu uma demanda superior a R$ 70 milhões no período.

Desde o início da operação da Peak Invest, segundo Berger, cerca de mil empreendedores pleitearam um total de 130 milhões de reais, mas foram liberados 3,2 milhões de reais para 51 empresas. “Essas empresas têm que estar absolutamente limpas, sem pendências na Receita Federal ou trabalhistas, por exemplo”, explica o executivo. A primeira análise passa por um robô de crédito com algoritmo proprietário conectado à Receita Federal, a bureaus de protestos e ao banco Topazio. “A cada 100 empresas filtramos 20 e sobre estas fazemos uma análise de crédito artesanal”, explica o executivo.

O que as fintechs aconselham aos investidores?
Berger comenta que o perfil de quem investe em P2P Lending é de um investidor que já conhece outras modalidades de investimentos de risco. Segundo ele, entre os clientes há dois perfis mais comuns: “de um lado temos o jovem bem-sucedido, de 30 a 35 anos de idade, que ainda tem custos fixos baixos então tem um apetite maior para risco. E na outra ponta temos investidores com idade acima de 60 anos que já conseguiram acumular um certo patrimônio e podem dedicar uma parcela a esta modalidade”.

Diversificar é a principal recomendação para quem se interessa nessa modalidade. E a dica também vale para as escolhas dentro do P2P Lending. A gente prega muito fortemente uma diversificação dentro de sua carteira P2P. É importante começar uma carteira de pelo menos 4 a 5 empresas para diluir o seu risco”, afirma o executivo da Peak Invest. Como a empresa trabalha por cotas de investimento mínimo de 2.500 reais por empresa selecionada, Berger aconselha a plataforma a investidores que podem dedicar a partir de 10 mil reais no investimento.

Renato Douek aconselha que o investidor avalie as informações sobre a empresa na qual deseja investir para mitigar o risco e também recomenda a diversificação tanto dentro da plataforma P2P – a Kavod exige investimento mínimo de R$ 3 mil  – , como fora.  “Dentro do investimento de risco mais alto também é importante ter uma diversificação que pode ser uma parcela em P2P Lending, ações, criptomoedas e fundos também”, aconselha.

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