No meu curso de “Empreendedorismo na comunicação”, na PUC-Rio, ensino meus alunos a zelar por sua marca pessoal, ou seja, o conjunto de atitudes que contribuem para a forma como são avaliados. A correta administração da chamada “personal brand” é cada vez mais determinante para dar consistência à carreira e inclui não só postagens e fotos nas redes sociais, mas igualmente o endosso a comentários de terceiros.

Mas será que tanto foco em tecnologia não representa também um risco para essa geração Z, que compreende de adolescentes a jovens no início dos 20 anos e que em breve estará entrando no mercado? Os pais respiram aliviados porque seus rebentos são 100% digitais e trafegam com desenvoltura em meio às inovações. Mas será que o fato de serem tão antenados e conectados não conspira contra eles? O potencial da garotada é enorme, mas sua dependência digital pode ser um problema.

O primeiro ponto que me chama a atenção é a dificuldade de foco desse grupo, que cresceu dividindo telas e dedicando frações mínimas do seu tempo a múltiplas atividades. Quando há necessidade de mergulhar em profundidade numa tarefa, muitos se perdem. Temos que aplaudir sua flexibilidade e capacidade de adaptação, indispensáveis nesse ambiente de rápidas mudanças. No entanto, a instabilidade permanente dessa era, somada às exigências das redes sociais de que as pessoas sejam exemplos de sucesso e perfeição, criou indivíduos extremamente ansiosos. Como não se estressar se abundam influenciadores digitais irradiando o tempo todo suas trajetórias de sucesso?

A era digital é tão pervasiva que é praticamente impossível para a meninada “desligar”. Seus celulares funcionam em expediente 24-7 e isso não é sustentável do ponto de vista mental, emocional ou físico. Aos que os guiarão em seus primeiros passos profissionais, caberá um papel relevante: ensinar que a tecnologia deve ser uma aliada para expandir conhecimentos e aumentar a produtividade, mas ressaltar que é preciso impedir que ela se aproprie da vida dos indivíduos. Líderes e gestores devem estimular os jovens a buscar respostas dentro de si mesmos e à sua volta – e não num aparelho móvel. “Como pude dormir tantas noites com o celular embaixo do travesseiro?” – esse é o tipo de arrependimento que poderá se tornar cada vez mais comum daqui para a frente. Podemos fazer nossa parte para que isso não aconteça.

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