Aproveitando que a “pirralha” e ativista ambiental Greta Thunberg foi eleita a personalidade do ano pela revista “Time”, volto a falar sobre a necessidade imperiosa de as empresas se empenharem em investir na diversidade. Se não for por gosto dos acionistas e diretores, que seja por motivos práticos: em breve esta será uma exigência dos mercados e consumidores. Além disso, a variedade de pessoas e opiniões está diretamente relacionada com inovação e produtividade.

Da boca para fora, todos parecem seguir o mesmo estribilho: segundo levantamento da consultoria PwC, 87% dos executivos consideram a diversidade uma prioridade. Infelizmente, há mais conversa do que ação, mostrou reportagem da revista “The Economist”. Entre 2015 e 2018, o percentual de mulheres no alto escalão de empresas norte-americanas e britânicas passou de 12% para 14%; minorias étnicas ocupavam 12% dos cargos e subiram apenas um ponto, para 13%.

Há muito a fazer. Para começar, investir em procedimentos, em vez de tentar mudar as pessoas. Não adianta estimular as mulheres a pedir aumento se o pleito vai soar como um comportamento insistente e irritante – é preciso abrir espaço para que elas galguem os degraus da organização. A chave da questão é eliminar as barreiras que impedem que esses talentos floresçam. Um estudo da consultoria McKinsey, realizado em mais de 300 empresas, identificou que havia um gargalo entre os postos de entrada e o caminho para cargos de gerência. Para cada 100 homens que avançavam, apenas 72 mulheres passavam nessa peneira; entre os negros, somente 58.

Não confie na informalidade para estimular a diversidade e crie critérios para abrir espaço para quem ainda está sob o manto da invisibilidade, prega  Mellody Hobson,  presidente da Ariel Investments, membro do conselho de diversas companhias e ativista pela diversidade. Em entrevista à BBC disse: “está na hora de nos sentirmos confortáveis em ter conversas desconfortáveis sobre raça”. Caçula de seis irmãos, desde pequena foi preparada pela mãe para enfrentar o racismo, até chegar à Universidade de Princeton.

Na empresa, a diretoria tem três mulheres: uma negra, que é a própria Mellody, uma indiana e uma branca. Entre os homens, um é afro-americano e o outro é branco. Ela conta que participou de reuniões onde as pessoas se orgulhavam de dizer que eram “daltônicas raciais”, ou seja, não enxergavam a raça dos outros: “isso é uma loucura. Se você não vê a raça dos outros, não enxerga o quanto essas pessoas são excluídas”, avalia. Casada há cinco anos com o cineasta George Lucas, costuma ir a lugares onde com frequência é a única negra. E ensina: “quero que convidem para seus mundos pessoas que não se parecem com vocês, que não pensam como vocês, que não venham do mesmo lugar. Só assim teremos uma sociedade melhor e mais inclusiva”.

 

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