Normalmente, a turma focada em negócios torce o nariz para os ambientalistas, como se proteger o meio ambiente impedisse o crescimento econômico. Pois vem de uma superpotência um estudo que mostra como as mudanças climáticas e o aquecimento global representam um duro golpe na produtividade dos trabalhadores. A partir das respostas de uma pesquisa on-line realizada em 2016, com 4.363 pessoas de diferentes países, os cientistas Yu Shuang, Xia Jiangjiang e Yan Zhongwei, da Academia Chinesa de Ciências, juntamente com colegas da Grã-Bretanha, constataram que o calor tem um efeito perverso sobre a produtividade.

Em inglês, trata-se do WPL (work productivity loss). Os pesquisadores, que trabalham no Institute of Atmospheric Physics, descobriram que, nos países em desenvolvimento, havia uma perda de produtividade de 6.6 dias por ano relacionada ao excesso de calor. Nos países desenvolvidos, o índice era de 3.5 dias perdidos por ano. Em regiões que eram mais frias no passado e que, portanto, não estavam preparadas ou adaptadas, o impacto era maior – por exemplo, no caso da Ásia Central e do Norte da Europa. Nós, que vivemos nos trópicos, sabemos bem como é difícil manter a concentração quando a temperatura aumenta, além do mal-estar que pode acompanhar o quadro. O irônico é que a utilização maciça de aparelhos de ar condicionado contribui para o aquecimento global. Só o Brasil tem cerca de 140 milhões de máquinas e, no mundo, esse número chega a 1.6 bilhão, embora seu uso esteja concentrado num número pequeno de nações, encabeçado pelos Estados Unidos.

A China está empenhada em buscar soluções para as mudanças climáticas porque tem um histórico de crimes ambientais. Muitos trabalhadores sofrem com doenças relacionadas à poluição do ar, que pode provocar diminuição da função pulmonar e do ritmo cardíaco irregular. Um estudo mostrou que a redução de 1% da poluição aumentaria em 0,079 o PIB chinês: o equivalente a R$ 6,3 bilhões. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, um milhão de mortes prematuras são registradas anualmente na China por causa da forte poluição, tanto que o país investiu US$ 133 bilhões em energia renovável – principalmente solar. O último verão europeu foi escaldante e Portugal registrou máximas de quase 47 graus. Nos EUA, incêndios florestais destruíram uma área equivalente à da cidade de Los Angeles. O planeta está hoje um grau mais quente que há cem anos e, se essa escalada não for controlada, não será apenas a produtividade que estará comprometida.

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