Geena Davis já foi uma estrela de Hollywood. Depois do sucesso do cultuado “Thelma & Louise”, poderia ter se tornado uma diva, mas sentiu na pele as exigências impostas às mulheres na indústria cinematográfica. E decidiu buscar um outro caminho, que estivesse mais de acordo com suas convicções. Aos 63 anos, hoje se dedica ao Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia (Geena Davis Institute on Gender in Media), cuja proposta é mapear e lutar contra as disparidades que ainda dão o tom na indústria do entretenimento.

Os estúdios Walt Disney, pródigos em filmes onde o papel da mulher estava a reboque de heróis varonis, se deu conta de que o tempo das princesas despertadas por um beijo do príncipe encantado ficou para trás. Agora, está usando uma ferramenta de inteligência artificial criada por Geena, em parceria com a Universidade do Sul da Califórnia, para corrigir desvios em roteiros causados por preconceitos de gênero e, consequentemente, garantir diversidade nas produções.

A ferramenta chama-se “GD-IQ Spellcheck for Bias” (em tradução muito livre, algo como “Quociente de inclusão Geena Davis para análise do discurso em busca de preconceito ou viés”). O software lê scripts e identifica a extensão da participação de homens e mulheres; de personagens LGBT, negros ou pessoas com deficiências. Dessa forma, servirá de alerta para roteiristas, produtores e diretores sobre o risco de se perpetuar visões negativas.

O instituto, que foi fundado em 2004, já realizou inúmeros estudos. Uma dessas pesquisas entrevistou mais de dez mil meninas e jovens em todo o mundo e mostrou que a forma como a mídia representa as mulheres faz uma enorme diferença para desenvolver sua capacidade de liderança. Por outro lado, quando falha, isso se reflete na visão que elas têm de si mesmas, gerando baixa autoestima e falta de autoconfiança. Na TV, por exemplo, houve um significativo aumento de protagonistas femininas nos programas infantis: esse percentual era de 42% em 2008 e alcançou 52% em 2018.

O trabalho de Geena Davis conseguiu reunir à sua volta patrocinadores de grande envergadura. No começo do mês, numa palestra na Nova Zelândia, afirmou que, embora não se possa mudar o cenário de desigualdade num estalar de dedos, quanto mais mulheres ocuparem papéis de destaque na mídia – na frente e atrás das câmeras – mais facilmente se poderá combater o preconceito. “As imagens geradas pela mídia são poderosas. Precisamos de um leque maior de modelos femininos para operar essa mudança, como executivas, políticas e cientistas”, enfatizou no evento.

Geena Davis: o instituto que leva seu nome vai ajudar os estúdios Disney a mapear preconceitos em roteiros / Divulgação

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