De nada adianta terem aprovado a PEC do teto dos gastos, se, na batalha por apoio no Congresso, o governo abre as torneiras, sem cerimônia, para obter apoio de certos setores. A bancada ruralista, só para citar um exemplo, fez valer de forma muito eficiente sua força como fiadora do governo. Isto sem falar na paralização da reforma da previdência.

 A falta de vocação desse governo para cortar despesas tende a nos levar a um inevitável aumento da carga tributária.

 Nós, brasileiros, devemos ficar atentos ao destino que é dado aos recursos do governo. Afinal, somos nós que geramos essas receitas. Além disso, a forma como é gasto esse dinheiro afeta, diretamente, nossos planos, nosso bem-estar, enfim, nosso bolso.

 Não há mágica. Toda despesa pressupõe uma receita. A má gestão dos recursos públicos tende a aumentar a carga tributária, o que reduz a eficiência e alça o Brasil às primeiras posições do ranking de custo país. Investir no Brasil, hoje, já é caro e arriscado. As projeções para o futuro não são nada animadoras.

 Agora, em agosto, as agências de classificação de risco começam a soltar a nota do risco Brasil. Se, nessas avaliações, a nota atual (que já não é das melhores) for mantida, devemos agradecer ao céu. Mas, a julgar pela dificuldade do governo em manter a meta de déficit das contas públicas, não se espera boas notícias desse front.

 Um eventual rebaixamento da nota afetará diretamente os títulos de renda fixa. Ruim para quem está posicionado neste mercado e precisa de liquidez; mas pode ser bom para os que dispõem de recursos para comprar.

Uma saraivada de más notícias tende a fazer os preços dos títulos caírem, o que abre excelentes oportunidades de investir nesta aplicação conservadora.  

 Conservadora, mas que oferece risco, sim. É o chamado risco de mercado, causado pela oscilação dos preços dos títulos que, por sua vez, está diretamente ligada à gestão das contas públicas. 

 No vídeo “Gestores de Fortunas” (https://youtu.be/emmjF-XcnNY), você verá três gestores de recursos chamando a atenção para o risco dos títulos do Tesouro mais longos. Segundo eles, no patamar de preços atual, os títulos longos embutem pouco prêmio face ao risco. Para quem tem caixa para investir hoje, é melhor comprar títulos de curto prazo (atrelados á taxa Selic ou ao IPCA) e deixar para aplicar em títulos de prazo mais longo no futuro, quando o horizonte das contas públicas estiver melhor definido.

 O mercado não projeta chance de reversão no corte das taxas básicas de juro, ainda que o ritmo atual de queda possa diminuir ao atingir o patamar de 8%. Tais cortes ocorreram, apesar da desordem das contas públicas, porque a recessão tem assumido, praticamente sozinha, a tarefa de conter a inflação.

 As notícias da política não amimam a economia. Os investidores se retraem à espera de decisões animadoras. As expectativas de curto prazo são de aumento de carga tributária.

E o cenário internacional tem nos ajudado. Mas até quando? Assim, muita atenção à sua carteira de investimentos porque o risco está a espreita e não é pequeno.

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