Você já saiu da empresa há horas, mas continua checando e-mails e outras redes sociais para ver se o chefe quer algo ou se há qualquer novidade, mesmo que irrelevante. Conhece esse filme? Pois saiba que a mera expectativa de receber mensagens do serviço depois do expediente afeta a saúde – sua e das pessoas à sua volta. É o que mostra pesquisa de William Becker, professor da faculdade de administração da Virginia Tech (Universidade Estadual da Virgínia, nos EUA). Segundo o estudo, não é preciso efetivamente cumprir horas extras para sentir o efeito negativo: “o resultado insidioso de estar sempre ligado não é computado e às vezes é até apresentado como um benefício, como se representasse autonomia e controle sobre o fluxo de tarefas. Na verdade, nossa pesquisa mostra outra realidade. A flexibilidade no horário de trabalho se tornou trabalho sem limite, comprometendo o bem-estar do empregado e da sua família”, afirma o professor Becker.

A longo prazo, ele diz, esse processo é insustentável. Na sua opinião, a saída seria a adoção de políticas corporativas que estabelecessem limites claros para o uso da comunicação eletrônica fora do horário de expediente. Quando essa disponibilidade fosse obrigatória, o acordo deveria ser formalizado como parte das responsabilidades da função. No entanto, o que se vê com mais frequência é um comportamento de mimetismo: o mantra “ligado 24 horas” vai do topo da empresa até os escalões inferiores, criando um ambiente tóxico.

Mas será que não há nada a fazer para tentar romper esse círculo vicioso? Temos uma parcela de culpa nessa dependência do celular, tanto que um estudo encomendado pela Nokia, em 2013, estimou que as pessoas checavam seus aparelhos cerca de 150 vezes por dia! A Apple confirmou que, diariamente, seus usuários desbloqueiam seus iPhones 80 vezes. Na verdade, eles deixaram de ser ferramentas para o trabalho e a vida social, escravizando os indivíduos – basta ver pais e mães de olho na telinha enquanto seus filhotes tentam chamar sua atenção (pior é quando as crianças pequenas também integram esse contingente de “viciados”). Aqui vão algumas sugestões publicadas na revista “Fast Company” para tentar restabelecer o equilíbrio entre homem e máquina:

  1. A primeira é radical: deletar os aplicativos que o mantêm checando o aparelho. Você realmente precisa olhar Facebook, Instagram, Twitter e YouTube 20 vezes por dia? Torne o acesso um pouco mais difícil e o que parecia uma necessidade imperiosa vai perder força.
  2. Instale um aplicativo como o Moment, que mostra o tempo que você usa o aparelho e quanto é gasto nos apps mais acessados. Outros do mesmo gênero: RealizD, Block Social Media, BreakFree e Space.
  3. Quando chegar em casa, deixe o aparelho em outro cômodo. Comece aos poucos: por 15 minutos; depois meia hora; uma hora… Tendo que se deslocar, você vai descobrir que não há tantas novidades assim e que o celular não precisa ser um prolongamento artificial da mão.
  4. À noite, ponha o celular em modo avião ou tire o som dele.

 

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