Em novembro, pesquisa realizada anualmente pelo IMD World Competitiveness Center mostrou que o Brasil ocupava a 58ª. posição entre os 63 países analisados – a lanterna é da Venezuela. O ranking avalia como as nações desenvolvem e retêm talentos capazes de alavancar o crescimento das empresas. Como em 2017 estávamos em 52º. lugar, conseguimos andar seis casas para trás. O motivo? Entre muitos, redução de gastos públicos com educação, baixa implementação de programas de aprendizes e de treinamento de funcionários. Resultado? As habilidades desenvolvidas aqui não atendem às necessidades das companhias e, ao mesmo tempo, há uma fuga de cérebros, ou seja, quem tem habilidades acima da média busca uma colocação no exterior.

Enquanto isso, inteligência artificial e robótica pautam as ações de gigantes como a Amazon. A consultoria PwC prevê que, em 2030, pelo menos 5% dos empregos serão criados em áreas que nem sequer existem. Aliás, o leque de novas profissões já inclui atividades como a de fazendeiro urbano, que cultiva alimentos em prédios, com a enorme vantagem de não depender da malha rodoviária para abastecer seus clientes. A tecnologia do blockchain, conhecida pelos bitcoins, será cada vez mais utilizada na armazenagem digital e transação de criptomoedas, abrindo campo para programadores especializados.

O medo de que robôs ocupassem o lugar dos humanos revela apenas uma parte da história. Sim, é verdade que eles desempenham com mais eficiência funções simples, ainda realizadas por pessoas com baixa escolaridade, mas também abrem as portas de um novo mundo: outra consultoria internacional, a Gartner, projeta a geração de milhões de vagas relacionadas à inteligência artificial. O emprego industrial, como a montagem de carros, só diminuirá, mas haverá necessidade de profissionais para programar os cada vez mais sofisticados robôs.

De acordo com a Itif – traduzindo, a Fundação de Inovação e Tecnologia da Informação, um dos principais institutos de pesquisa nessa área – os países que resistem à automação ficam para trás na criação de riqueza. Os Estados Unidos vêm adotando os robôs num passo aquém do esperado, enquanto a China abraçou o processo num ritmo acelerado. O futuro dirá quem está com a razão. Quanto ao Brasil, a primeira providência a ser tomada é sairmos da contramão da inovação, para darmos chances às próximas gerações de encontrarem seu lugar ao sol.

 

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