O comércio eletrônico registrou 250 mil novos endereços online no País, um crescimento de mais de 37% desde 2018. A 5ª edição da pesquisa Perfil do E-commerce Brasileiro mostra que o crescimento do número de sites de e-commerce é mais expressivo em relação aos dois anos anteriores – 9,23% em 2016 e 12,5% em 2017 – e o o tempo de permanência das lojas no ar também aumentou.

O novo fôlego empreendedor do brasileiro para vender pela internet pode ser motivado por oportunidade ou necessidade, mas o fato é que a maioria estreia com uma prateleira bem enxuta. De acordo com o estudo feito pela plataforma BigData em parceria com o PayPal a presença de lojas que vendem de 1 a 10 produtos online subiu de 58% no para 73,6% entre os sites de comércio eletrônico no País. Já as lojas com mais de 101 produtos recuaram de 33,5% para 14%.

Na avaliação de Thiago Chueiri, diretor de Desenvolvimento de Negócios do PayPal Brasil, o e-commerce é um ambiente ideal para o empreendedor que quer crescer aos poucos, com baixo investimento. E isso combina com o aumento da oferta de plataformas prontas para montar uma loja virtual – 59% das novas lojas usam plataformas prontas e de baixo custo. “O empreendedor começando pequeno, tendo ali 10 produtos pode customizar uma loja online em um pacote a um custo zero”, ele observa.

O grande desafio, no entanto, é manter a loja aberta. O tempo médio de vida de uma loja online já chegou a ser de apenas 3 meses em 2015, segundo o histórico da pesquisa. Hoje a média é de um ano e 4 meses. Na visão do executivo, “o empreendedor brasileiro está melhor preparado para manter sua loja no ar por mais tempo”. Entre os motivos, os dados apontam mais opções de pagamento e adaptação das lojas para dispositivos móveis.

A opção de pagar com uma carteira virtual está presentes em mais da metade dos 930 mil sites de comércio eletrônico do país – no ano passado, o pagamento eletrônico estava em 47% das opções de pagamento entre as 680 mil lojas em operação. Segundo Thiago, a maioria dos estreantes já opta pelas carteiras virtuais. “A vantagem não está somente no processo do pagamento, mas também envolve gestão de fraude que traz proteção tanto para o consumidor como para o vendedor”, alerta.

Ganhar a confiança do consumidor é fundamental para aumentar o valor do carrinho e a margem do vendedor. A análise mostra que as lojas on-line estão mais confiantes em oferecer itens mais caros – 25,96% dos itens expostos nas vitrines virtuais pesquisadas custam mais de R$ 100.

O estudo também destaca o avanço nos sites preparados para dispositivos móveis nos últimos dois anos – hoje, 76% dos sites de e-commerce são responsivos. “O mobile é uma realidade, não é mais uma promessa”, comenta o executivo. Chueiri lembra que um impulso para as lojas virtuais compatíveis com os smartphones aconteceu quando o Google começou a destacar nos resultados de buscas as empresas com sites adaptados para dispositivos móveis.

Para quem está pensando em empreender no varejo online, uma dica importante é pensar com carinho no pós-venda. Uma novidade na pesquisa deste ano foi avaliar o atendimento ao cliente e o resultado deixou a desejar. A pesquisa mostrou que uma em cada quatro lojas online já sofreu ao menos um processo judicial movido por um comprador.

Outra recomendação importante é pensar na acessibilidade da loja virtual para pessoas com deficiência visual ou auditiva, entretanto, neste quesito o e-commerce brasileiro está reprovado. A medição inédita da BigData mapeou mais de 23 milhões de sites de e-commerce do País, sendo que 8% que faturam mais de R$ 100 milhões de reais por ano. No entanto, 99,98% dos sites avaliados apresentaram problemas de acessibilidade para deficientes visuais, que representam 3,5% da população brasileira segundo dados do IBGE, e deficientes auditivos – mais de 1% da população. É fundamental que tanto os grandes varejistas como as plataformas que oferecem lojas online pré-formatadas invistam na acessibilidade e façam essa lição de casa.

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