Thomas Edison é considerado um dos maiores inventores da História, mas nem sempre era um visionário. Em 1911, afirmava com convicção de que, nas décadas seguintes, todas as casas teriam mobília de aço, resistente e barata. Ele não está sozinho. Não somos bons em previsões porque nosso cérebro foca no futuro próximo. Nosso raciocínio prioriza o que é necessário para nos manter vivos, ou seja, o curto prazo, o que dificulta que imaginemos muito além.

Somos persistentemente otimistas sobre a probabilidade de certas coisas acontecerem quando queremos que isso ocorra. Achamos que eventos adversos só atravessam o caminho alheio e baseamos nossas previsões em experiências passadas, mesmo que não haja nada que indique que estejamos certos. Quando nos deparamos com novas informações, é comum que imaginemos que elas se encaixam em todas as crenças que já tínhamos. E embora percebamos quando estamos diante de uma guinada disruptiva, não temos a mesma sagacidade quando as mudanças acontecem de forma gradual.

Poderia incluir nossa aversão ao risco e as dificuldades que temos para processar um volume grande de dados, mas essa não é uma lista para desmerecer a espécie humana. Pelo contrário, trata-se de uma reflexão com o objetivo de fazer uma aposta para 2020 e os anos seguintes: nossas limitações não nos impediram de voos muito altos.

A revista eletrônica “Quartz” pediu cenários sobre o mundo daqui a 50 anos para executivos, gente de criação, espíritos antenados. Como era de se esperar, a maioria dos palpites já está no radar planetário: foco em sustentabilidade para fazer frente à escassez de recursos provocada pelas mudanças climáticas, valorização de empresas éticas engajadas em propósitos relevantes, a ascensão das mulheres a postos de comando buscando mais harmonia e entendimento, o mundo do trabalho virado do avesso, com novas regras a serem criadas. Sabemos que as fronteiras da tecnologia se expandem continuamente – há duas semanas, por exemplo, Amazon, Apple e Google fecharam acordo para desenvolver em conjunto um padrão para aparelhos inteligentes de uso doméstico – mas o mesmo acontece com os desafios. As parcerias para vencê-los nunca foram tão importantes. Fico feliz que a coluna tenha abordado esses temas ao longo do ano. Feliz 2020!

 

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