Empreender está na ordem do dia: o tema já frequenta a sala de aulas de adolescentes e um número cada vez maior de jovens pensa em ser dono do próprio negócio. No entanto, além das dificuldades inerentes a todo empreendimento, há uma pedra a mais no caminho das mulheres: como arranjar dinheiro para dar vida a uma startup.

Em janeiro, o jornal britânico “The Guardian” publicou reportagem sobre o tema e apresentou um dado alarmante: em 59% das empresas que surgiram em incubadoras universitárias, não havia sequer uma mulher entre os executivos de primeiro nível. Mesmo no estágio embrionário, elas representavam apenas 17% dos fundadores. A pesquisa, realizada pela Universidade de Oxford, faz parte de um programa mais abrangente de inclusão e mapeou a participação de cientistas, engenheiras e matemáticas em iniciativas promissoras que nascem no ambiente acadêmico.

No Reino Unido, somente um em cada três empreendedores é do sexo feminino e os especialistas avaliam que, se houvesse maior igualdade entre os gêneros, a economia se beneficiaria com uma injeção de 250 bilhões de libras, o equivalente a 1.4 trilhão de reais. A estimativa corrobora levantamento da consultoria McKinsey, feito em 2017, de que companhias com maior diversidade em seu grupo de diretores têm 21% mais chances de superar os concorrentes em desempenho.

No entanto, embora na área das engenharias a presença feminina tenha crescido, ela ainda é minguada no meio científico. Some-se a isso o fato de a maioria dos investidores ser composta de homens – na poderosa casta dos que cuidam de investimentos, as executivas não passam de 13%. Não para por aí: para os estudiosos, as mulheres também tendem a pedir menos dinheiro que seus pares masculinos. O motivo: parecer ávida ou esbanjadora, enquanto um orçamento modesto – mesmo com o risco de não ser suficiente para cobrir os custos do empreendimento – demonstraria disposição para trabalhar duro.

Em entrevista recente ao jornal “Folha de S.Paulo”, Jill Ader, presidente de uma das cinco maiores consultorias de recrutamento do mundo, a Egon Zehnder, afirmou que as mulheres às vezes acabam conspirando contra a própria carreira. E usou sua trajetória como exemplo: “na eleição para presidente do conselho da Egon, eu pensava: não posso fazer isso, é muito difícil. Basicamente, eu estava me tirando da disputa, mas as pessoas ao meu redor me ajudaram e estimularam, dizendo: ‘por que não você’?”.

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