Quando se trata de assumir riscos no ambiente de trabalho, sete em cada dez mulheres se mostram abertas a fazer movimentos moderadamente ousados para impulsionar a carreira. No entanto, apenas 43% consideram a hipótese de que esses riscos sejam maiores, de acordo com pesquisa realizada com mais de 2 mil profissionais, entre 18 e 64 anos, pela consultoria KPMG LLP. A inclinação feminina para se arriscar diminui conforme vão passando os anos, mesmo que a experiência traga maior autoconfiança: 45% das entrevistadas com menos de cinco anos de trajetória abraçariam o risco, mas somente 37% o fariam no grupo com mais de 15 anos de profissão. O curioso é que 55% acreditam que quem assume riscos tem mais chances na carreira.

A pesquisa mostrou que as mulheres negras são as mais predispostas a se arriscar: 57% topariam sacrificar a segurança atual se isso significasse uma oportunidade, ao passo que apenas 38% das brancas fariam o mesmo. Segundo Michele Meyer-Shipp, diretora de diversidade na KPMG, normalmente as mulheres se limitam “a jogar para não perder, ou seja, tentam preservar o que conseguiram a todo custo”. No caso das profissionais de raça negra, um longo histórico de preconceito e menos chances pode ter forjado a consciência de que precisam ser mais ousadas para conseguir seu espaço.

A oportunidade de ganhar mais é o maior incentivo para que as mulheres se movimentem no tabuleiro de xadrez do mundo corporativo. Entretanto, só 35% dizem se sentir confiantes para pedir um aumento. Para Meyer-Shipp, as empresas precisam se engajar nesse processo: “as organizações têm que criar estruturas de apoio, como programas de mentoria, para que a mão-de-obra feminina atinja patamares elevados”. A declaração vai ao encontro de dado da pesquisa que mostra que somente 43% falaram sobre suas realizações, nos últimos três anos, com o objetivo de dar visibilidade ao que fazem. Em sua maioria, elas atribuem o sucesso ao trabalho duro (73%); ao fato de serem detalhistas (45%) e organizadas (45%). Os percentuais diminuem quando são citados atributos como obstinação (24%); criatividade (18%) ou liderança (17%).

CONTINUAR LENDO
1 0