Até o fim do século XX, não se esperava outra coisa das empresas a não ser dar lucro.  Lentamente essa visão vem mudando, às custas de escândalos e desastres ambientais de nível planetário. Hoje, além de trazer resultados para os acionistas, a organização deve saber dialogar com os demais públicos com os quais se relaciona (os stakeholders), ter responsabilidade social e obedecer a códigos de ética empresarial e organizacional, prestando contas de seus atos. Bem-vindos à era do compliance, palavra que vem do verbo inglês to comply, que significa agir de acordo com as regras, estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos. Talvez não fosse necessário usar mais uma palavra estrangeira para tratar de algo tão óbvio que é zelar pela própria reputação. A diferença é que, agora, isso conta pontos no jogo. As empresas estão investindo tempo, dinheiro e recursos humanos para mapear e manualizar todos os procedimentos de forma que os limites fiquem claros para seus colaboradores.
 
Quem se dispõe a abraçar regras de compliance tem uma lista grande de gente a atingir: acionistas, público interno, clientes, fornecedores, concorrentes, governo, sindicatos, mídia, sociedade civil, setor privado. E um longo caminho pela frente com a elaboração de um código de conduta; comunicação estruturada e treinamento; canais para denúncias e reclamações; regras para contratação de fornecedores – não vai dar mais para olhar para o lado e ignorar que o fornecedor tem preço baixo porque usa mão-de-obra em condições degradantes. O comprometimento da alta direção é indispensável e os padrões de conduta devem ser aplicados a todos os empregados e administradores, independentemente de cargo ou função exercidos. Empresas mais robustas têm um encarregado para garantir a independência do programa: o CCO (chief compliance officer). O Brasil é o 76º colocado em ranking sobre a percepção de corrupção no mundo, segundo estudo divulgado em 2016 pela Organização Transparência Internacional, que analisa 168 países e territórios. O índice brasileiro foi de 38, cinco pontos a menos que no anterior, quando ficou em 69º lugar. A ONG atribuiu a piora ao escândalo na Petrobras e aos problemas na economia. O país divide a 76ª posição com Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia. Seja bem-vindo, compliance, que você chegue para ficar!
 
 

 

 

 

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