Influenciadores digitais que arrastam um séquito de milhões de seguidores? Atores famosos que cobram dezenas de milhares de reais para publicar um post sobre determinado produto ou marca? Sim, eles são locomotivas que turbinaram o mercado de marketing nos últimos anos. No entanto, comendo pelas beiradas e criando um outro tipo de relacionamento com sua audiência, há um novo grupo que vem ganhando espaço e importância: os microinfluenciadores.

Quem são eles e por que conquistaram seu próprio território? Há uma palavra que define a forma como atuam: proximidade. As celebridades são distantes e o vínculo com seus fãs acaba sendo impessoal. Já um microinfluenciador é o tipo que mais se assemelha ao antigo vizinho a quem se pedia uma xícara de açúcar. Hoje essa imagem existe apenas em filmes das décadas de 50 ou 60, quando as pessoas batiam na porta ao lado em busca de ajuda. Hoje o “help” é digital.

O YouTube funcionou como uma grande incubadora para esse grupo, que agora também milita em outras redes sociais, especialmente o Instagram. Com frequência, o microinfluenciador dá partida em seu projeto para compartilhar soluções para resolver os perrengues do dia a dia. A criação do conteúdo é uma atividade rotineira, um canal de expressão que, na largada, não visa ao lucro. Sua autenticidade é a chave para cair nas graças de quem tem os mesmos problemas e se identifica com as postagens.

No Brasil, de acordo com a plataforma de marketing Squid, eles têm entre 5 mil e 100 mil seguidores, se concentram na faixa entre 25 e 35 anos, são principalmente mulheres e os assuntos mais abordados são estilo de vida, moda e comida. Como o nome indica, o início pode ser tímido, mas os adeptos são fiéis e se encarregam de se transformar em “embaixadores” da marca, ampliando seu alcance. Um bom exemplo de nicho de microinfluenciadores que vão se tornando players de peso é o universo nerd, onde as principais lideranças formam uma legião que propaga suas ideias.

Nos Estados Unidos, enquanto denúncias de que influenciadores tradicionais se valem de contas falsas e do uso de robôs para inflar sua audiência – o que acendeu a luz amarela dos anunciantes – os micro seguem a salvo desses arranhões na reputação. No Brasil, já há inclusive premiação para reconhecer aqueles que se destacam no meio, e sua ascensão está apenas começando.

 

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