A indiana Indra Nooyi anunciou semana passada que deixará o cargo de CEO da PepsiCo, depois de 12 anos à frente da empresa na qual ingressou em 1994. Nesse período, foi responsável por um salto no faturamento da companhia: de 35 bilhões de dólares em 2006 para 63.5 bi em 2017. A PepsiCo aumentou sua produção de bebidas e alimentos mais saudáveis – o que lhe custou muitas críticas, embora hoje o segmento responda por 50% do faturamento – e expandiu-se internacionalmente. Em outubro, passará o bastão para Ramon Laguarta e sua saída chama a atenção para duas questões. A primeira é o fato de que Indra faz parte de um minúsculo grupo de executivas de grandes corporações, e que não dá mostras de crescimento. Quando assumiu o posto, Indra integrava um time que contava com apenas 11 mulheres superpoderosas. Doze anos depois, não passam de 25 entre as 500 maiores organizações.

A segunda envolve a própria sucessão: não será uma mulher que ocupará seu lugar, o que só mostra a dificuldade de ascensão feminina no mundo corporativo. Nos últimos meses, foi o que aconteceu na Avon, na Hewlett-Packard, na Mattel e na Campbell Soup – as CEOs foram todas substituídas por homens. Jeffrey Sonnenfeld, do curso de administração de Yale, disse ao jornal “The New York Times” que houve uma queda de 25% no número de altas executivas em um ano. Na sua opinião, elas acabam não tendo o apoio necessário e se tornam um alvo mais fácil quando o desempenho das empresas sofre algum abalo – o que não ocorre com executivos. Lareina Yee, sócia da consultoria McKinsey & Company e autora de “Women in the workplace”, também foi entrevistada pelo jornal e declarou: “no nível de entrada das firmas, as coisas não parecem ruins, mas o desequilíbrio em relação às oportunidades aparece logo”.

Indra está com 62 anos e afirma que sua decisão se deve, em parte, ao fato de querer passar mais tempo com a mãe, que tem 86. Ficou famosa por sua capacidade de trabalho: com frequência chegava a enfrentar 20 horas seguidas de jornada, sete dias na semana. Perguntada se acha que sua trajetória representou um bom modelo para as mulheres, foi direta: “provavelmente não”, respondeu, fazendo a ressalva de que acredita que a situação tenha melhorado na última década. Em sua gestão, houve um esforço nesse sentido, levando a alta administração a contar com oito executivas entre os 27 diretores. No entanto, ela própria é um exemplo de que as mulheres normalmente têm que trabalhar dobrado para provar sua eficiência. Na verdade, é preciso quebrar o círculo vicioso existente, que começa com diferenças salariais para cargos iguais, se cristaliza em menos oportunidades para postos de chefia e desagua em conselhos de administração com um número menor de mulheres.

 

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