Greta Thunberg acabou de recusar um prêmio por sua atuação em defesa do meio ambiente, no valor de US$ 52 mil, o equivalente a mais de 200 mil reais. A iniciativa foi do Conselho Nórdico, que promove ações conjuntas de países da Escandinávia, mas o argumento da jovem ativista sueca, de apenas 16 anos, foi sucinto: ela disse que as pessoas que detêm o poder deveriam começar a ouvir a ciência, e não prestar atenção em prêmios. A assertividade de Greta, que em agosto de 2018 passou a não ir à aula às sextas-feiras para protestar contra a falta de políticas consistentes contra as mudanças climáticas, é um bom exemplo do poder que a raiva feminina tem. Esse é o tema do livro “Rage becomes her” (em tradução livre, “A raiva se transforma nela”), de Soraya Chemaly, que defende que as mulheres devem aproveitar o potencial que existe dentro de todas nós para efetuar mudanças. Afinal, o ato de indignar-se não é reservado apenas ao universo masculino.

A autora afirma que há motivos de sobra para as mulheres estarem zangadas e frustradas: ganham menos e trabalham mais horas, acumulando tarefas domésticas. Quando se tornam assertivas, são consideradas megeras – na verdade, ela usa a expressão “bitches”, ou seja, “cadelas”. Se sua opinião não é levada em conta, se há sempre alguém lembrando que seu comportamento deve ser moderado e você não pode perder a delicadeza, e isso tudo a deixa ainda mais furiosa, com certeza está no time da escritora.

“As mulheres são ensinadas que sua raiva é sempre um exagero que as transformará em seres rudes e detestáveis. No entanto, a raiva é um sinal emocional contra a injustiça, a ameaça, o insulto. A verdade é que nossa raiva é o recurso mais importante de que dispomos, é uma força de criação e não de destruição, uma arma contra a opressão pessoal e política. Precisamos dela”, enfatiza Soraya, também uma ativista que dirige uma organização voltada para o discurso feminino: o Women´s Media Center Speech Project.

O ambiente corporativo se beneficiaria muito se estimulasse lideranças femininas arrojadas, uma vez que o mundo precisa de novos modelos, padrões e propostas para os impasses que enfrenta. Esse é um processo que deveria começar na infância, para que as meninas se sintam confortáveis quando são corajosas e destemidas. Não é à toa que Greta Thunberg vem sofrendo bullying nas redes sociais: ela vocaliza seu desconforto, cobra providências, mobiliza. Para quem estiver interessado em assistir a uma palestra de  Soraya Chemaly sobre o tema, basta clicar no link: https://www.youtube.com/watch?v=wMt0K-AbpCU

A jovem ativista Greta Thunberg / Leonhard Lenz – https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=80548264

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