Nas últimas décadas, o especialista sempre foi o profissional com passe em alta do mercado. No entanto, numa era de tantas mudanças, será que isso continua valendo? Para Davi Epstein, as regras do jogo não são as mesmas. No recém-lançado “Range: why generalists triumph in a specialized world” (em tradução livre, “Diversificação: por que generalistas triunfam num mundo especializado”), o autor defende que, diante da demanda crescente por inovação e criatividade, tem mais chances quem apresenta jogo de cintura para “ler” o que está acontecendo. Portanto, a receita é: seja menos focado e mais diletante. Experimente áreas diferentes, não encare guinadas profissionais como perda de tempo, e sim como um investimento na criação de um repertório que lhe dará ferramentas para tomar decisões.

Parece música para os ouvidos de generalistas que vêm amargaram o ostracismo. Esse foi o caso do próprio Epstein, que estudou ciências do meio ambiente e foi jornalista esportivo até ter uma “revelação” quando escrevia o livro “The sports gene”, sobre o desempenho de atletas de ponta: nem todos tinham êxito por serem excepcionalmente focados. Roger Federer, por exemplo, tentou diversas modalidades antes de abraçar o tênis.

Sua tese não é apenas envolvente, se baseia em pesquisas e dados científicos: mostra que jovens que só tiram notas altas e são incensados como grandes promessas podem se tornar adultos de mentalidade inflexível, incapazes de desafiar normas e de pensar fora da caixa. Atualmente, a habilidade de conectar ideias de campos que parecem não ter afinidades para gerar soluções criativas pode significar a sobrevivência de um negócio. Resumo da ópera: flexibilidade mental para transferir conceitos e conhecimentos é a chave para o sucesso no ritmo vertiginoso em que vivemos.

Ele cita músicos autodidatas, líderes empresariais que nunca planejaram a carreira, cientistas que foram ridicularizados por suas teorias exóticas, mas que acabaram conseguindo solucionar questões complexas. Principalmente, quer que entendamos que não sabemos o que somos e o que funciona para nós até tentarmos e começarmos a fazer. Por isso temos que diversificar, experimentar. Pode não ser o caminho mais fácil, mas faz crescer. Em qualquer lugar idade.

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