A reação do mercado de ações à abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff deve ser vista com muita cautela. A alta de 3% na quinta-feira já foi revertida na sexta-feira e esse rápido movimento mostra o quão especulativo está o mercado.
Os investidores e operadores da bolsa jogaram na expectativa de que o impeachment – seja qual for o resultado do processo – tem potencial de destravar a economia. Mas não há uma unanimidade sobre o tema.

Por exemplo, em uma declaração pública captada em Londres pela agência Reuters, Mauro Leos, analista sênior da agência internacional de classificação de risco de crédito, Moody’s, disse que enxerga um impeachment como algo negativo para a nota do Brasil, devido às incertezas relacionadas a todo o processo.

“O fato é que a bolsa não tem nenhuma perspectiva de melhora a curto e médio prazo com o cenário econômico e político que estamos vivendo”, avalia Eduardo da Costa Carvalho, presidente da corretora Lecca.
Ação, lembra Carvalho, é um investimento totalmente atrelado ao lucro das empresas. E os lucros em geral estão em baixa – quando não viraram prejuízo.

É claro que sempre há setores que faturam bem, mesmo durante crises.

Neste momento, entre os setores que estão ganhando dinheiro se encontram as exportadoras, graças à desvalorização do real que torna os preços dos produtos brasileiros mais baratos no exterior, aumentando a competitividade destas empresas.

Embora seja possível lucrar com ações deste e outros setores que estejam desafiando a crise e registrando bons resultados, o racional do investimento em ações não mudou.

Ele jamais pode ser visto como algo para resgatar no curto prazo, a não ser por experts que ganham para passar o dia todo em frente ao computador acompanhando cotação de ações. Ou para aqueles que estão construindo uma carteira de ações de longo prazo – 10, 20, 30 anos. Nesse caso, seguir buscando de vez em quando alguma boa empresa a um preço baixo pode ser uma excelente estratégia.

Mas se você não se encaixa em nenhum desses perfis, é preferível apostar na renda fixa que, com os juros elevados, continua sendo o melhor investimento no país hoje.
 

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