A liberação de até 500 reais do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), anunciada esta semana pelo governo, pode dar fôlego aos 63 milhões brasileiros negativados que desejam negociar ou quitar dívidas. De acordo com o SPC Brasil 37% dos inadimplentes poderiam eliminar suas pendências com o saque pois devem até 500 reais.

A notícia já movimentou os canais de atendimento de empresas especializadas que usam a tecnologia para ajudar devedores a renegociarem suas dívidas 100% online. “Já temos vários clientes nos procurando sobre isso”, comenta Alexandre Lara, CEO da BLU365, uma das fintechs pioneiras em usar tecnologia e estatística para identificar o comportamento dos devedores. Por meio de campanhas online, a empresa procura incentivar o inadimplente a acessar o site e avaliar uma proposta de negociação direcionada ao seu perfil. Segundo ele, a empresa vai abrir um canal específico para os interessados em renegociar seus débitos usando a liberação do percentual do FGTS.

Veja também: Governo anuncia mudanças nos saques do FGTS; entenda

Lara recomenda que o devedor pode usar a parcela do saque para tentar um desconto maior na renegociação. “Muitas empresas e bancos vão flexibilizar a política de negociação para clientes que usem o FGTS”, afirma.

Por outro lado, considerado que a maioria dos brasileiros tem uma dívida média de 3.252,70 reais, segundo dados de junho do SPC, será que vale a pena usar o programa do governo para tentar negociar uma dívida? Na opinião de Lara da BLU365,”caso a quitação não seja possível, o FGTS pode ser usado nas primeiras paralelas do débito negociado”.

Marc Lahoud, CEO da QueroQuitar, acredita que o programa vai ajudar especialmente no longo prazo porque a liberação de parte do FGTS – em contas ativas e inativas – vai acontecer anualmente. “Entendo que pode refletir ainda mais na sustentabilidade dos acordos assumidos pelos devedores, diminuindo o índice de quebra dos acordos”, analisa.

As duas fintechs de negociação de dívidas, que começaram suas operações entre 2014 e 2015, usaram a tecnologia para mudar a relação entre o credor e o devedor. “No modelo de cobrança tradicional, a pessoa que está devendo é cobrada ostensivamente e se sente constrangida. Nós passamos a convidar e não pressionar a pessoa a negociar”, observa Lahoud. Na QueroQuitar, ele explica que os inadimplentes listados pelos credores são abordados por e-mail, com mensagens amigáveis. Já a BLU365 usa inteligência artificial e modelos estatísticos para prever o comportamento do consumidor e promover campanhas online de incentivo à renegociação.  “Nossa especialização é saber como devemos nos comunicar com o cliente em um momento de necessidade”, nota Lara.

A negociação via internet também permite que a pessoa endividada possa tratar do problema sem interagir, necessariamente, com um atendente. “Uma vez que a pessoa entra no canal, o processo é automático e não é necessário falar com ninguém. Isso que permite tratar de um assunto tão delicado de forma discreta”, afirma Lahoud. Ele observa que o sistema não força a negociação e que “o cliente não é obrigado a fechar o acordo.”

Volta por cima
Além de ajudar na negociação as empresas também têm projetos de educação financeira para evitar que o número de inadimplentes aumente ou que as pessoas voltem a se endividar. Marc cita outro dado preocupante do SPC: “53% das pessoas que fecham acordos para quitar dívidas voltam a enfrentar o problema no mesmo ano”. Pensando nisso, a empresa se prepara para lançar uma plataforma chamada QueroRenda, até o fim do ano, com o apoio da Caixa Econômica Federal. “A ideia é ajudar as pessoas a saírem do problema, incluindo dicas de como ter renda extra trabalhando em plataformas da economia colaborativa (Loggi, Uber etc.), conteúdos, bem como aplicativos para ajudar a organizar a vida financeira”, detalha.

A BLU365 segue a mesma linha. “Hoje investimos bastante em levar conteúdos para ajudar o cliente a dar a volta por cima, incluindo simuladores de renda extra, como horários da semana que a pessoa estaria disponível para dirigir um Uber, fazer entregas ou ser um pet walker, por exemplo”, conta Lara.

Dicas valiosas
O executivo afirma que é importante identificar momentos que podem levar ao endividamento e se prevenir. “Se o orçamento está justinho procure algo para complementa sua renda e não perder o controle porque imprevistos sempre podem acontecer.  Vale olhar também para suas despesas e conter o apetite de gastos desnecessários”. E se precisar fazer uma despesa extra, a recomendação é buscar juros mais baixos. “Não fique tomando empréstimo do cartão ou entrando no cheque especial”, aconselha o executivo.

Se a situação é de endividamento, o conselho é buscar uma pequena sobra no orçamento do mês e procurar renegociar com descontos o quanto antes. Segundo Lara, entre os credores da plataforma, que inclui bancos, redes de varejo e de ensino, já houve até 92% de abatimento em débitos. “A gente vê muitas pessoas que pensam ‘vou ficar endividada e depois, lá na frente, vou ter um desconto’, mas nesse caminho você vai incorrer em juros abusivos, perder créditos e até oportunidades de emprego por estar negativado”, ele alerta.

Continue acompanhando as dicas aqui da coluna iBolso e descubra como a tecnologia pode colaborar com a sua vida financeira. Veja também as notícias do letraselucros.com e converse com a gente. Envie seu comentário, dúvida ou sugestão aqui no site ou pelo e-mail [email protected] 

CONTINUAR LENDO

FGTS liberado abre caminho para quitar ou negociar dívidas, aconselham fintechs
Baixar podcast 1 0